domingo, 30 de outubro de 2011

As leis da física aplicadas aos relacionamentos

Lembraste de quando falávamos sobre livros? Nunca havia consenso. Nunca conheci gostos tão opostos. Conhecia todos os teus preferidos, sem me atrever algum dia lê-los. Livros estranhos e densos. Obscuros demais para mim, que gostava de romances e finais felizes.
Ideologias políticas? Já nem falo. E sobre a música que gostavas? Ou devo dizer ruído ensurdecedor?  

Mas sobre documentários e séries entendiamo-nos. Víamos todos, consumíamos tudo à velocidade da luz, sempre sedentos por saber de tudo. Não éramos esquisitos, mesmo que fosse sobre a fisiologia dos crocodilos, ou da dinâmica da evolução dos transportes.

Lembraste do que conversávamos? Assunto nunca foi verdadeiramente um problema. Nunca mais fiz disputas de Qi com ninguém, é um facto. E do que falávamos, lembraste?  E sobre amores e desamores?  Que naquele tempo não eram nem uma coisa nem outra, nós é que ainda não sabíamos. Eu tinha namorado e tu tinhas namoradas. Tiveste o maior número de namoradas no mais curto espaço de tempo que eu alguma vez tinha visto. Tinhas mel, praí, não sei.
Lembraste do que falávamos sobre os teus sonhos e os meus sonhos, e todos aqueles que partilhávamos e que ninguém mais sabia? E de sermos um clã imparável nos videojogos? Víciamo-nos de tal forma, que quando cheguei ao primeiro lugar perdi o interesse. Que diabo de jogo aquele que te foste lembrar.

Lembraste de quando eu te irritava até ao limite da paciência e só parava quando gritasses comigo, ou te impusesses? Adorava.
Lembraste das poucas vezes em que não nos percebíamos? Lembraste de como me costumavas chamar? E daquilo que só me contavas a mim, e a nenhuma outra amiga, ou até namorada?
E dos segredos que eu lia nos teus olhos e que me fazias jurar que nunca ia contar a ninguém? Bons tempos. 


No outro dia sonhei contigo. Que raio de lembrança. Andava a minha mente assim tão perdida de pensamentos para te ir buscar assim, do nada?
Já passaram 3 anos desde a última vez. Esta frase diz tudo e ao mesmo tempo não diz nada.
Era tal como nós.


Eras céptico e crente no demo. Diferente de mim, uma católica confusa, que acredita no Deus católico, mas não na igreja.
Escrevi sobre ti aqui, no início dos inícios. Este espaço era talvez um dos poucos segredos que não mo soubesses. Pediste-me vezes sem conta para te dizer, para te mostrar, mas resisti sempre. Foi o melhor que fiz. Só assim posso escrever de ti sem que o saibas.
Caso contrário, saberias que a tua ausência ainda me causa este dano. e eu sou orgulhosa de mais para poder conviver com isso.

A amizade que um dia tivemos fez-me acreditar que um homem e uma mulher podem ser verdadeiramente amigos, sem que haja algo mais. Até perceber que qualquer relação não pode permitir ter-se amigos assim. Um homem pode namorar, mas é inevitável, não pode ter melhores amigas assim, e vice versa. Mau era se o/a namorada não assume esse lugar. O de melhor amigo, o de melhor amiga. E assim se extingue um posto. São as leis da física no seu estado mais puro. Dois corpos de massa densa não podem ocupar o mesmo espaço, durante o mesmo tempo. A comunidade cientifica reconhece isto. Não é difícil perceber.

Ás vezes ainda me lembro de ti.

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