Não levei nenhuma arma para o Centro de Emprego. Fiz mal.
Fui com reunião marcada, "Pf, não se atrase" disseram-me eles. Pensei: então está bem, vou 1 hora mais cedo que é para não haverem cá coisas, nem desculpas que me atrasei e bréubréu. Cheguei lá e estava tudo vazio, só duas ou três almas no Centro de Emprego.
Disseram-me: Só está uma pessoa à sua frente, eu já a chamo.
Passou uma hora. Nada.
Passou outra hora. Nada.
Passou mais outra hora. Nada.
O Centro de Emprego, que estava vazio quando cheguei, encheu e voltou a esvaziar. Era a única alma ali, de novo. Se eu fosse uma pessoa violenta, amigos, tínhamos tido problemas.
Eis que sou chamada. Parte de mim já estava anestesiada pelo tempo de espera.
Entro na sala e a Sra. vira-se para mim e diz: Temos um problema, estamos sem sistema informático. Pergunto se se irá conseguir tratar de alguma coisa e a Sra. diz-me que não. Naquela altura não sabia de havia de rir, se havia de chorar, se havia de me barricar na casa de banho.
Eis que a Sra., depois de eu ter estado 3 horas à espera e depois de me ter dito que não ia dar para resolver nada, decide sair-se com um: Estive a ver o seu curriculum e sabe que com a idade o corpo começa a ressentir-se, diga-me lá o que é que eu devo fazer para tratar deste e daquele problema de saúde?
Epá, deve ser para os apanhados, não é possível, mostrem lá a câmara seus bandidinhos, já chega de brincadeira seus malandros - pensei eu. Fiz-lhe o meu sorriso mais falso da história da humanidade e lá despejei um ou outro conselho, apesar de na minha cabeça lhe estar a desejar coisas não muito bonitas.
A meio da coisa o sistema informático ressuscitou, aleluia, irmãos. E a coisa resolveu-se. Claro que ainda falta mais papelada, desconfio que ainda me vão pedir um frasquinho de urina, só para ver se está ali no amarelo translúcido, porque se não estiver claramente que será preciso preencher outro requerimento e atestar que me responsabilizo pela cor do meu xixi daqui para a frente...