sábado, 2 de outubro de 2010

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Casamentos
Eu não gosto de casamentos, assim no geral. Não gosto.
Não sei se será pelo facto de já ter trabalhado no Catering de dezenas deles e já ter assistido de perto a todos eles. Só sei que talvez por isso, pelo facto de serem uma constante que, por norma, não gosto dos típicos casamentos.
Vá, nos casamentos dos outros, até acho fofo e tal. Penso que tudo aquilo até se enquadra com os noivos, blá blá, mas não gosto no sentido em que morro ao pensar que o meu possa ser assim. Livraaa.
Baseando-me na experiência profissional que, apesar de tudo, já tenho, é possível encontrar denominadores comuns em todos eles, sejam quais forem os géneros de pessoas, ou os estratos sociais, is always the same e pouco muda, geralmente.
Nunca sonhei com o facto de casar, nunca sonhei em casar na igreja, nunca sonhei com vestido ou mesmo em Vegas. I'm not a marriage person.
Mas atormenta pensar que, nesse dia, no dia em que supostamente tudo seja especial, seja passado de forma tão tipicamente, banal.
Is the same old story. Over and over again.
Acordar cedo. Depois "Áhh olha a noiva tão gira", escolham o que escolherem.. novidade: os vestidos parecem todos iguais. Mais folhinho, menos folhinho, ai que é cai-cai, ai que não é.
Já aconteceu ter um serviço de um casamento num sábado e outro no domingo, e quando chego ao domingo o vestido parece sempre semelhante ao dia anterior.
Depois, levar com uma hora de missa em que o padre diz barbáries, como já ouvi, do tipo, para que a mulher se mantenha pura e casta deve ir todos os fins de semana à igreja. Entendo então que pode ser uma boa rameira, infiel and so on, tem é que ir sempre à igreja e ai já é pura e casta. Humm. Pois.
Sendo que o discurso é direccionado para mulher, não como uma mulher que está lá enquanto, repito, mulher e fruto de um sentimento como o amor absoluto e profundo por alguém, em vez disso trata-se sempre de um discurso sobre a mulher como meio de promover a descendência, que também dá discursos muito bonitos, sim senhor.
Eu acredito em Deus, muito mais no que na Igreja.
Depois dessa horinha muito bem passada que contempla sentar, levantar, dar beijinhos e doar à igreja (vulgo instituição privada sem fins lucrativos, yeah, right..) passa-se mais outra hora a tirar fotografias. Vá agora os tios, agora com o tipo lá da empresa que se convidou só por educação e que fez o favor de ir, vá agora com os primos de segundo grau, que eram filhos daquela tia que nem gostávamos mesmo nada. E lá estão os noivos a apanhar a seca da vida. No fim, noivos com hipertonia muscular de tanto sorriso forçado. Depois alampam-se todos a comer.. a tarde inteira.
Nesse momento já há tias e avós em chinelos e a maquilhagem das convivas é já duvidosa.
Que casamento de sonho. Mas não o meu.
Momento da noite que termina com a actuação de bandas tipo Tony's Dance ou Carlos António e bailarinas. Menos mal quando é uma bandita de covers em condições, o que raramente acontece. E então todo pululam ao som de danças de reportório tão catita como Emanuel, Malhoas, umas quantas músicas brasileiras e espanholas cantadas com pronuncia manhosa e afins. Se houver dança do comboio.. ai, então, não sobrou réstia esperança. Invariavelmente acabam todos a morrer, no final da noite.
Incluindo os noivos que se levantaram cedo como ninguém e que andaram o dia todo em stress. Deve ser pouco o cansaço no final do dia e consequentemente lua de mel.. deve ser deve.
Tudo isto, se for no casamentos dos outros, tudo muito bem, tudo muito bonito, ainda é como diz o outro, tanto me faz como me fez, agora no meu?? (Ler com pronuncia brasileira - Me txirem dessaaa.)

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