quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

A polémica das praxes

 
Não me parece que, passada esta polémica, nada mude em relação às praxes a menos que se legisle especificamente nesse sentido.
Consigo lembrar-me de algumas praxes de mau gosto que tive, consigo lembrar-me de alguns praxantes frustrados, mas nunca fui obrigada a fazer nada que atentasse contra os meus princípios ou integridade, apesar de saber que geralmente as praxes nem sempre funcionam assim.
Quando fui eu praxar também não foi diferente.
 
O que é facto é que percebi que consegui tirar algum ensinamento da praxe quando cheguei ao fim do curso e era uma mera «estagiária».
No primeiro contacto com o mercado de trabalho percebi que estava no fundo da hierarquia e que sim, que a sociedade está toda hierarquizada, tal como na praxe.
Quando no estágio tive que "ouvir e calar", respeitar os orientadores, às vezes por muito errados que estivessem, pelo respeito a serem mais velhos e à experiência que tinham, quando percebi que às vezes temos que sorrir e obedecer, mesmo estejamos a mandar aquela pessoa a um sítio nada bonito na nossa cabeça, quando tive que ter procedimentos contra as minhas crenças pessoais, porque eram como as coisas funcionavam num dos locais de estágio e tinha porque tinha de ser assim, percebi que aquilo não era muito diferente da praxe e que a praxe, de certa forma me ensinou a tolerar melhor essas situações.
 
Percebo o intuito da praxe, dado que é uma pequena amostra que na vida temos que aprender a ouvir, algumas vezes sem ter opção de resposta, a respeitar, a aprender que nem sempre vamos fazer o que gostamos, mas que temos que o fazer independentemente disso. Não quero com isto dizer que a praxe é a única forma de obter estes ensinamentos, porque claro que não é. Não sou defensora acérrima da praxe e quando leio opiniões de defensores cerrados das praxes normalmente acho-os meio infantis. Nem sempre a praxe é boa, nem sempre a praxe é integração.
 
Apesar de ter conseguido tirar alguns ensinamentos dessa fase também tenho a certeza que colocar em risco a vida de outros não traz ensinamentos para ninguém e todos os actos de praxe que não dignifiquem o ser humano devem ser punidos. Praxe não pode nem deve ser uma fachada para maltratar impunemente os outros. Praxe sim. Crianças grandes a brincar de dar ordens, independentemente das consequências, não.

1 comentário:

Diana Moura disse...

é bom ler uma opinião que nos diz que a praxe realmente a ajudou no mercado de trabalho!
DMoura

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