quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Da tragédia no Meco

É impossível ficar indiferente às notícias do que aconteceu na Universidade Lusófona, sendo que ainda 'ontem' eu própria era estudante universitária.
É, de facto, muito estranho que apenas o Dux, que supostamente era hierarquicamente superior aos outros, fosse o único a ter telemóvel, fosse o único a estar seco, fosse o único a ter sobrevivido. É muito estranho.
Mais estranho ainda foram as mensagens internas, divulgadas pela imprensa, que circulam dentro da universidade, em que há ameaças aos estudantes que falem com a imprensa ou que conte detalhes sobre práticas de praxe. Diziam: "O que acontece na universidade, fica na universidade (...) estamos atentos a tudo o que dizem (...) cuidado se não quiserem sofrer consequências" e as enormidades continuavam. E isto sim acho que só envergonha a instituição, como os seus alunos. Morreram 6 estudantes, o único código a ser cumprido agora é o penal e não as mesquinhices de praxes ou dos pactos de silêncio.
Acho mal que o rapaz que sobreviveu não se pronuncie. Tudo bem que deve estar muito abalado, mas não podemos esquecer que há imensas pessoas que ainda não conseguiram começar o seu luto, ou perceber o que aconteceu. Se, de facto, ele tiver amnésia seletiva, bastava  chamar um advogado e dizer tudo o que se lembrasse, mesmo que fosse pouco, mesmo que fossem só pequenas lembranças, mas algo que demonstrasse que ele está solidário com os pais, que também ele quer perceber o que aconteceu. Se ele próprio não se achasse em condições de contar. Acho que deve ser uma dor sem fim perder um familiar sem perceber o que aconteceu.
 
Eu pressinto culpa, que a meu ver justificava muita coisa, mas pronto.

3 comentários:

Susana Santos disse...

Estou inteiramente de acordo contigo...

beijinhos

A Pimenta* disse...

Este caso está muito mal explicado. E ainda vai dar muita bronca.

Gabriela Ferreira disse...

Sinceramente, acho um pouco díficil, um grupo, todo ele de trajados (ou seja caloiros já não são), alugar uma casa, nas férias de natal ou perto delas para praxar e deixarem-se praxar. Mas agora pagam para se deixarem praxar? E os pais sabem que eles alugaram uma casa com dinheiro deles para serem praxados? E eles não tinham voz contra uma pessoa? Eram 6 contra um, não acredito que deixassem a coisa azedar tanto ou fossem tão fracos de espírito. Se fossem todos caloiros até acreditava... uma vez que não eram...

É um caso mal explicado, mas abstenho-me de tecer narrativas e lançar culpas quando há pouca informação. Nas notícias ainda não li nada sobre amnésia selectiva, nem ameaças a circular caso não se cumpra o silêncio do que se passou, ou que ele foi encontrado seco com telemóvel. Li sim que ele conseguiu escapar e que aquele sítio era propício à formação de vagas como aquela que apanhou o grupo.
Também é conveniente que se teça este caso à volta da praxe e das maldades que ela traz/faz, e acredita que não defendo a praxe, mas acho constante a demonização que fazem dela nos media sem motivo.

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