Estou assustada, mesmo assustada. Nunca tinha ouvido nada assim.
Os meus vizinhos tiveram mais uma discussão.
Se dúvidas havia sobre a parte da violência hoje dissiparam-se.
A discussão foi de uma tal forma, os gritos, o som da violência é algo indescritível, nem consigo descrever. Sobretudo, quando uma criança começou aos gritos, mas gritos de um desespero tal, pedia para o pai largar a mãe, para chamarem a polícia, pedia socorro, mas de uma forma que cortava o coração. Era de um desespero, de uma agónia indescritível. Ainda conseguiu saiu de casa, veio para as escadas do prédio pedir ajuda, mas rapidamente a vieram cá buscar. Os gritos continuaram. Enfim, de dar dó.
Chamei a polícia. Se eu não fosse o telefonema cá de casa, ninguém teria feito nada, apesar de todos os andares terem vindo às escadas ver o que se passava. Nunca tal me tinha acontecido, mas de repente era comigo que se estava a passar a história, que tantas vezes repetem, sobre todos os terceiros que ouvem, que sabem e não fazem nada.
Demoraram cerca de 15 minutos a chegar. Deviam ter visto o carro da polícia porque se calaram mesmo antes deles entrarem no prédio. A mulher veio abrir a porta e quando inquirida respondeu: Não se passa nada, e riu-se, terminando com, aqui vive-se em paz.
Ouvir a mulher a rir-se, foi outra coisa impossível de digerir. Posso perceber todas as motivações de tudo o que ela tenha dito, menos daquele riso.
E a policia foi embora, fazendo o que estava ao alcance, que era muito pouco, quando se diz que não se passa nada.
Finalmente algum sossego, pensamos nós, agora 20 minutos passados já se volta a ouvir discutirem.