sábado, 30 de julho de 2022

Morreu a Mariama

E isso lembra-nos que isto é tudo um sopro, que coisas más acontecem a pessoas boas, que filhos podem ficar órfãos em idade em que só se deveriam preocupar em brincar e descobrir o mundo. Damn.

[...]


Daqui a nada faz um ano que casei.

Até ver recomendo, dou 5/5 no Tripadvisor, é uma experiência cara, mas boa e tem valido o investimento. 

quarta-feira, 6 de julho de 2022

Compramos uma casa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Yeeeeeei!!!!!

 

Oh meu deus. Não é que compramos uma casa? Sinto que precisamos (eu e o marido) de ficar quietos, em posição fetal, porque cada vez que damos um passo ou respiramos saem 2000€ da nossa conta.

Dar este passo, tal como já antevíamos, custa uma fortuna. Muitas pessoas só olham para o custo da entrada para o imóvel para calcular se estão ou não em condições de avançar, mas esse é apenas um de muitos pagamentos a considerar.

Pagamos o sinal à imobiliária, a entrada ao banco, pagamos o registo, o cancelamento da hipoteca anterior, avaliação do imóvel, pagamos impostos de tudo e mais alguma coisa, comissão de "aí querias uma casa? então pshhh cala-te", imposto de selo, selo branco (?), paguei coisas que nem em 17 anos na escola alguma vez ouvir falar.

Compramos numa fase em que está impossível comprar, mas que, no entanto, as pessoas precisam de viver em algum sítio. No outro dia ouvi uma agente imobiliária a dizer que alguém que tenha comprado uma casa em 2017 consegue hoje vende-la por, pelo menos, mais 50% do valor que a comprou. Isto significa que uma casa de 200mil é hoje vendida por, pelo menos, 300mil, num espaço de 5 anos. É uma loucura.

Vamos começar as obras tão cedo quanto o empreiteiro consiga, para podermos mudar. Até lá é tudo a dobrar, sinto-me mãe de gémeos, com a renda e a prestação, agua, luz, enfim tudo a dobrar, etc.

Já compramos o chão que vai ser instalado na casa e foi sensivelmente menos uma viagem às Maldivas. Não que já tivéssemos ido, que não fomos, mas por este andar também não iremos. Teremos, no entanto, chão, o que também não me parece mau negócio. 

Já decidi que vou rotular os gastos de acordo com as férias que não vamos fazer. 3000€ de chão = menos uma viagem às Maldivas e assim sucessivamente. A minha mãe diz, e bem, que não podemos ter dois gostos. Por isso, é o que é, só peço que me deixem gozar com o processo, para mantermos a (pouca) sanidade habitual. 

Contem que os próximos relatos de férias sejam algures do parque de campismo de Espinho, que tirando o vento, também não se está mal.


Agora a sério. Compramos uma casa. Num processo todo ele difícil. Uma casa que precisa de muitas obras e sabemos que irá precisar nos próximos anos. Foi, é e será um enorme desafio, apesar de tudo estamos muito contentes. Sinto que atingimos mais um milestone. 


Obrigada por estarem desse lado. 

terça-feira, 28 de junho de 2022

Olá pessoas!


Estes últimos tempos foram usados para gerir ansiedades.

Com o trabalho e a indefinição sobre o futuro, a voltar a desenhar planos B, C e D.

Com a questão da casa... finalmente saiu a data da escritura. Andamos em stress porque supostamente a imobiliária não ia deixar que a venda passasse para o segundo semestre e claro que no processo com o banco tudo mas mesmo tudo que poderia atrasar... atrasou. O cpcv passou do prazo, com o nosso sinal do lado da agencia. Tudo isto acabou por empurrar a escritura para o segundo semestre, mas aparentemente a imobiliária conformou-se e a escritura foi marcada e vamos poder dar seguimento ao processo. Finalmente!

Inscrevi-me numa formação contínua na Universidade do Porto e vou ter exame amanhã. 

Entretanto tive covid. Passados 2 anos estava a achar-me incrível, mas afinal sou apenas uma comum mortal.


Aguardemos pelos próximos desenvolvimentos.

quarta-feira, 18 de maio de 2022

Sentar. Reavaliar. Redefinir.


Durante toda a vida é-nos incutida a facilidade que é engravidar. Do género: cuidado! há um descuido, sai uma criança. Na minha aldeia, algures no distrito do Porto, mas longe de tudo, este cenário era recorrente: Os maridos trabalhavam fora, na construção civil, e as mulheres eram donas de casa. Uma gravidez nestas circunstâncias era o perpetuar de um legado de dificuldades. Not fun. 

Nunca pensei sobre o facto de constituir família, o que eu sempre tive presente foi estudar, começar a trabalhar e organizar-me a partir daí. Distanciar-me de algo que podia comprometer a minha capacidade de fazer escolhas e não ficar subjugada a uma situação daquelas que eu via nos vizinhos do lado. Algumas das crianças com quem eu andei na primária são hoje mães de adolescentes com 15 anos.

Nesta fase, com 31 anos, começa a ser normal nos depararmos com as experiências dos nossos amigos e na percepção de que poderá não ser fácil, que muitos deles estão inclusive em processo de tratamentos de fertilidade. Só em amigos próximos são 4 casais, pelo menos. Não é algo de que se fale muito e deixa-nos a pensar.

Acho que só percebemos que queremos algo quando alguém nos diz: "lamento, mas não é possível". Tenho medo de ter passado grande parte da vida com este medo de engravidar e um dia alguém nos diga isto mesmo, bem sabemos como a vida é bem irónica most of the time

Só há uma certeza... é que não vale a pena sofrer por antecipação, quando for, que seja o que tiver que ser.

terça-feira, 17 de maio de 2022

"Tenho uma amiga"



Tenho uma amiga que encomendou roupa e que foi buscar uma tesoura para abrir a embalagem. 

Ao cortar a embalagem cortou também o macacão que vinha lá dentro. 🙄


Não fui eu... Puff, eu algum dia fazia uma patetice dessas? Puff... eu sabia logo o que era a embalagem e o que era a roupa, por favor, nem ia continuar a insistir e cortar um buraco do tamanho de uma bola de ténis..  

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Estou a ver as férias no horizonte



Samba, lá lá lá lalalalala lá lá lá laa laa.

Espero que o covid se mantenha longe para podermos ir uns dias para fora, tranquilos.

Já tinha aqui dito que queria mesmo era ir para Budapeste, Praga, Viena, aquela zona ali do mapa, que parece ser incrível e cheia de história. Contudo, agora é infelizmente impensável. Então vamos para perto, apenas tentar descontrair de uma série de coisas que foram e estão a acontecer. Também não se avizinham mais férias este ano, eventualmente todos os dias que sobrem será para obras e limpezas.

Estamos com o processo da casa a decorrer no banco, a avaliação bancária está a demorar mais do que o esperado, espero que não signifique nada.

Como temos a chave temos ido para a casa tentar arranjar algumas coisas e vou-vos contar... é preciso limparmos, seja o que for, 3 vezes para passar de imundo (nem é a limpo) é a, pelo menos, só sujo. Quem vivia naquela casa fez coisas inacreditáveis. Passamos horas só num pequeno jardim à frente da casa que era literalmente uma lixeira a céu aberto, eram dezenas de garrafas, plástico, rolhas, tudo o que possam imaginar.

Estamos na fase em que é difícil de imaginar como as coisas vão ficar, mas espero que aos poucos a coisa avance. Se pudéssemos íamos literalmente para lá arrancar tijoleira, chão, partir paredes.

Temos que decidir qual o orçamento que vamos escolher, o que é prioritário e o que pode ficar para depois. Acho que vamos gastar umas férias das Maldivas só em chão, por exemplo.

Eu, há umas semanas, fui a tribunal depor como testemunha, num processo que acaba por me implicar diretamente, caso não corra bem. Estou também a fazer uma formação todas as semanas na universidade do porto.

O marido vai mudar de empresa.


Muita coisa a acontecer, mas enquanto estivermos vivos vamos dando graças a isso e a estes "problemas", que enquanto forem deste tipo, no final das contas, está tudo bem.



terça-feira, 10 de maio de 2022

[...]



Acho que nunca teremos ideia do que passa e do que sente uma pessoa trans. O desafio de ser-se olhado de lado sempre, do choque dos outros em pequenas escolhas, como a simples e básica ida à casa de banho.


Acabei de atender uma pessoa trans, um adolescente de 17 anos. Foi a segunda consulta, na primeira não querendo ser invasiva usei a informação de género para a ficha clínica e fiz por no discurso nunca definir o género, de modo a que fosse menos uma pessoa a quem se tivesse que justificar. Justificar por existir da forma que existe, por viver a vida que determinaram que teria que viver, mesmo se sentindo diferente.


Hoje abriu-se muito mais, falou concretamente dos desafios que esta condição trazia à sua vida, das dificuldades e pela saúde não ser a prioridade. Falou-me, sem aprofundar, que passava por coisas que são "chocantes" para outras pessoas, que tem problemas na escola, que vai reprovar de ano, mostrou-me fotos de desenhos de um homem a apertar o pescoço a uma mulher, falou-me de violência doméstica, de uso de drogas, na obesidade que decorre de um escape, que é a alimentação.


Falamos muito e com calma, definindo objetivos, materializando um plano de ação. Baby steps - dizia ele, baby steps. Saiu da consulta motivado e a dizer que eu deveria ser psicóloga. Há pessoas que só precisam de ser ouvidas, em saúde vemos muito isso. Ouvir aquela pessoa, compreende-la é muito mais eficaz clinicamente do que qualquer medicamento ou ação terapêutica.

É importante sermos empáticos e educarmos os nossos filhos para a diferença. Caso não tenhamos reparado somos todos assimétricos, nós próprios, como que raio podemos ser iguais a outra pessoa, menos ainda sermos todos iguais, pensarmos da mesma forma. Oiço o que fala, mas não imagino o que vive, não imagino o terror que sente, as lutas que trava. É fácil, de fora, motivarmos, darmos força e sermos positivos, mas sei que tudo se esfuma em pouco tempo.

Espero ter ajudado a mover um grão que seja numa praia solitária, que pode ser esta vida, com a convicção de que as escolas, a sociedade, deveriam ter um papel muito mais ativo na inclusão de todos. Todos nós podemos fazer a nossa parte.


 

quarta-feira, 27 de abril de 2022

Nem sei que vos diga

Estamos na fase de pedir orçamentos para a renovação da casa. Que assombro, os preços que se praticam de mão de obra, dos materiais nem vamos falar e olhem que a casa precisa de tu-do, realmente tudo.

Resta a dúvida: escolher um orçamento mais barato, que vai mais de encontro com o que queremos gastar, apesar de com menos garantias ou um orçamento mais caro, mas em que as pessoas nos transmitem mais confiança, mas também mais caro, já disse mais caro, já? já?


Dilemas, decisions, decisions.

 

quarta-feira, 13 de abril de 2022

Luciana Abreu e o ex-marido


Não sei se perderam o vosso tempo  já viram as considerações do ex-marido da Luciana Abreu no Goucha? Não, pois não? Eu explico, já sabem que para junk tv estou cá eu.


O rapaz não achou grande piada que a cantora lhe estivesse - alegadamente - sempre a pedir grandes quantias de dinheiro, que não devolvia. Isso e rituais de bruxaria.

A cantora que era aparentemente bem resolvida a nível financeiro, que tem uma produtora, uma casa com piscina, férias em Capri e Cabo Verde, etc etc, acabava por lhe pedir dinheiro que, supostamente, nunca devolveu. O jovem diz que lhe deu todas as economias e que pediu um empréstimo e ainda  dinheiro aos pais para dar à cantora e que a mesma ficava sempre muito irritada quando ele falava nisso.

Ora ao que parece, alegadamente, a Luciana Abreu é tipo a nova impostora do Tinder...

terça-feira, 12 de abril de 2022

Aqui, como sempre, a pensar alto



Aqui é o local onde eu penso alto, não alto no sentido de grandeza, mas onde escrevo o que penso para perceber se percebo aquilo que penso. Confuso, né? Eu sei.


Ora ora ora... nós andamos à procura de casa há 2 anos. Definimos um budget inicial de 120.000€ para um apartamento, o que nessa altura nos parecia suficiente, dado o mercado à data, para um T2, por exemplo. Rapidamente começamos a sonhar com um pequeno jardim, com um bocadinho mais de espaço, em geral, e começamos a perceber que também podíamos ponderar embarcar em renovações para conseguir ter orçamento para algo maior.

Vimos casas em bruto, alvoradas, vimos casas velhas - a cair -, até ponderamos comprar uma num bairro, que não tínhamos bem a certeza se seria seguro. Ponderamos muitas coisas. Fomos ver apartamentos cheios de humidade e outros bem giros, mas acima daquilo que queríamos efetivamente pagar. Fomos ver uma "moradia" que nós não devíamos sequer  ter entrado e que eu devia ter dito ao agente imobiliário que aquele preço era ridículo. Contaram-nos histórias do que faziam nos sofás onde estávamos sentados , assinamos um contrato de promessa de compra e venda onde os proprietários não apareceram e desistiram do negócio, fomos ver uma casa em que pediam 60.000€, que não compramos, e após a renovarem colocaram-na à venda por 400.000€.

Enfim, tem sido uma jornada.

Na semana passada fizemos uma proposta para uma casa, que foi aceite. Ainda ninguém sabe. Andei uns dias a dormir mal. Comprar uma casa é um passo assustador e eu que, normalmente, sou a destemida e a "vamos lá", dei por mim back and forward, num "vai não vai".

A casa precisa de obras e deve ter assustado quem lá foi antes de nós, uma vez que ninguém ofereceu o preço pedido, excepto nós, mas calculo também que se que deixássemos as visitas continuarem a acontecer alguém daria.

Precisa de bastante trabalho, vai ser um desafio, mas acho que neste tempo todo aprendemos uma coisa, que é: tudo se vende e nada é definitivo. Já vimos casas à venda que foram vendidas e passados uns meses foram colocadas novamente à venda. 

Vai ser uma tentativa, com sorte vai correr bem e não sendo a casa dos nossos sonhos cumpre vários propósitos, caso contrário é apenas mais uma experiência na busca do nosso espaço, de um sítio que seja nosso. 


Torçam por nós!

segunda-feira, 28 de março de 2022

Os Óscares à chapada

 Acho que estamos todos incrédulos com o que se passou nos Óscares. 

Achávamos nós que era impossível um ano pior do que 2021. Ahram, aí está 2022 sempre a surpreender.

O Will Smith vai e dá um soco ao Chris Rock. Depois de uma piada, sem piada, sobre a alopecia da mulher do Will vai o gajo e dá-lhe um tabefe.

Oh valha-me nossa senhora das estatuetas. 

 


quinta-feira, 24 de março de 2022

Vamos criar aqui um fórum. O que gostavam de saber? Que dúvidas e inquietações vos apoquentam?



Fica difícil pensar em outros assuntos, quando há tudo isto a acontecer.

Pandemias, guerras, genocídios, vulcões em erupção. 

Uma pessoa sabe que a história é cíclica, escusavam era de comprimir todos estes fenómenos em tão pouco tempo.


E vocês xuxos, que estão desse lado, eu não sei o que vos faz voltar, mas obrigada por isso.

O que gostavam que fosse tema? Têm dúvidas sobre o que fazer, hesitações de vida, em geral? Desabafos, inquietações. Têm uma situação que não conseguem expor a pessoas que vos conheçam e gostavam de uma visão externa, isenta? Confissões que vos pesem na alma e que gostavam de falar sobre isso. Ponham em anónimo e sigam com as questões. Terapia de grupo, questões, de que têm medo, do que sentem falta? Vocês que estão fora do país, como estão?

Vale tudo, menos falarmos de guerra, de covid.  Sinto que todos passamos uns pelos outros, que metade de nós está absorvido em mil coisas, mas que partilhamos pouco, comunica-se muito, mas fala-se pouco. 

E vocês como estão?

sexta-feira, 4 de março de 2022

Reservei uma noite na Ucrânia

Quem me lê sabe que viajar é uma das coisas que mais gosto.
Se pudesse passava a vida a conhecer locais novos, perceber um pouco mais da história daquele país, da arquitetura. Sentir a vibração dos locais, das pessoas.
Claro que as viagens que fazemos são sempre um gasto, que tem que ser gerido ao máximo. Viagens em low cost, estadias no Airbnb, refeições na mochila, são as formas que encontramos para o poder fazer, como já falei aqui mil vezes e felizmente todas as experiências que tivemos foram boas e cumpriram o propósito.

Ontem reservei uma estadia na Ucrânia, no meio de tantas estadias que já reservamos, fez-nos sentido tentar ajudar, desta forma. Tinha saldo na app que poderia ser gasto numa qualquer próxima viagem, e vocês sabem que gostamos de poupar ao máximo, não porque seja um desafio, mas sim porque é uma necessidade de gestão financeira, para podermos fazer o que gostamos, que é viajar.

Peguei no saldo e fiz uma reserva. Não sei se a casa que reservei está sequer de pé, mas foi uma muito pequena forma de tentarmos ajudar, através de uma plataforma, o Airbnb, que também já nos tem ajudado a fazer viagens baratas e a ter estadias seguras e que agora está ainda com uma campanha para ajudar os refugiados.

Nada devolve os sonhos, os maridos, os filhos, a vida, aquelas pessoas. Os nossos gestos são uma pequena formiga em comparação com um tanque de guerra, que é a devastação total que está a acontecer. Ainda assim, espero que a nossa migalha possa ser útil e que a soma de pequenas migalhas consiga restaurar naquelas pessoas a fé na humanidade, que acredito que possa estar, para sempre, comprometida.

quarta-feira, 2 de março de 2022

...

No início do ano tínhamos pensado que este ano faríamos a viagem que nós chamamos de tríade: Budapeste, Viena e Praga. Já há imenso tempo que queríamos fazer, mas como é uma viagem em que precisamos de mais tempo e de mais dinheiro de uma só vez, fomos adiando.

O marido já esteve na Polónia, eu o mais a longe que tinha ido naquele sentido, na Europa, tinha sido Croácia e gostávamos muito de aproveitar esta Europa, para nós desconhecida.


2019... 2019... éramos felizes e nem sabíamos.

terça-feira, 1 de março de 2022

Nem parece real

Parece que estamos todos a assistir uma série da Netflix, não parece possível acreditar que em 2022 possam deliberadamente estar a morrer pessoas por conflitos deste género. Lemos nas notícias "70 mortos em ataque" e nem conseguimos processar no resíduo de pó, que a vida humana se torna.

Já todos perderam, todos, sem excepção. Quando isto acabar - e raios como demora a acabar - vai sobrar um país em ruína, milhares terão perdido tudo. A família, os sonhos, a casa, o emprego. Ódio gera ódio, os filhos destes homens vão crescer com o ódio da injustiça, vão questionar-se mil vezes sobre os porquês daquilo lhes ter acontecido. Vão existir russos que vão achar que foram injustiçados por sofrerem sanções do resto do mundo. Não vai ter fim.

Estes dias fiz um zapping pelos canais russos, não que perceba nada do que dizem, mas ainda assim... Parei num que tinha o nome "educational qualquer coisa" e era sobre videojogos de guerra. Pessoas a jogar com snipers a matar de forma precisa, tanques de guerra a passar por cima de carros civis, com o realismo que estes jogos já nos habituaram e os jogadores estavam ali super divertidos e o canal transmitia os seus jogos de guerra, de "estratégia". Ficamos perplexos e aterrorizados.


Temos que lutar para um mundo onde insto não seja "o normal", onde a morte não seja banalizada, onde o bom senso impere. Temo realmente pelo futuro.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

A noção do privilégio

Sou cidadã de um continente de primeiro mundo. Sou branca, heterossexual. Tive oportunidade de seguir para o ensino superior, de me dedicar 100% aos estudos, sem ter que trabalhar e estudar. Sempre que fiquei doente tive acesso a cuidados de saúde e a medicação. Sempre tive segurança em ter um teto, em ter comida na mesa. Nenhum dos meus pais esteve ausente da minha educação e crescimento. Não tenho memória de qualquer conflito armado no meu país. Tive uma infância saudável e feliz.


Eu tenho absoluta noção do privilégio de ter nascido na Europa, de sentir segurança, de ter paz. Esta situação veio abalar a segurança que eu achava inatingível. Devíamos ter aprendido tudo, porque a história já nos mostrou todos os cenários e todas as consequências dos atos de ódio e de guerra, de tudo o que decorre do que não seja a diplomacia.


Não somos nós os visados, para já, mas quando está um ditador no poder passamos a ser. Todos nós. Cada vez que se elege um extremista, um lunático, um radical estamos a colocar-nos, não só a nós como a todos, à mercê de caprichos de poder, estamos a permitir cada vez mais desigualdades, estamos a semear ervas daninhas em caminhos previamente desbravados. O poder é uma coisa que se entranha, que se apodera, que domina. Nas mãos erradas pode ser destruidor. Não sei se há algo que possamos fazer, mas sei que votar com sentido crítico é tirar poder a quem, nós percebemos perfeitamente, está sedento dele, a quem a humanidade é secundária aos seus ideias e crenças.


A história já nos ensinou tudo o que tinha para ensinar, errar hoje - na era da informação - não é ignorância é um ato criminoso. Todos os envolvidos, sejamos meros cidadãos ou governantes de potencias do G7, todos sabemos exatamente as consequências das nossas escolhas. 

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Dia negro

Hoje é um dia negro. 

Depois de ver as notícias é impossível não se ficar petrificada com o que está a acontecer na Ucrânia. Saio de casa abalada com tudo o que vi, com a noção de que isto vai gerar refugiados de guerra na Europa, vai gerar mortos por causa de um tirano com o ego do tamanho do mundo, com a noção clara de que estamos a dar poder a estes lunáticos para fazer coisas destas, como demos deputados ao "coisinho", com a noção de que o poder é algo perigosíssimo, com a noção que a inflação vai subir, que produtos essenciais vão ficar mais caros e no que isso pode pesar para as famílias. Sai de cabeça baixa, realmente preocupada. 

Hoje foi o dia em que me fez imensa confusão ligar a rádio comercial onde estava a dar os Foo Fighters com Waiting On A War, e estar a ouvir coisas como "I've been waiting on a war since I was young. Since I was a little boy with a toy gun"... 

Wow, era escusado passarem músicas temáticas. Há uma alma ali que pensou "ora, está tudo isto a acontecer, vamos procurar músicas com o guerra/war na letra." como se fosse um dia de são valentim, com o "all i need is love" ou o "all i want for christmas is you" em dezembro. 

Seguido de uma rubrica de comédia.

Hoje não me apetece ouvir músicas de "guerra", nem histórias hilariantes logo de manhã, nem tão pouco gargalhadas. Hoje apetece-me silêncio, porque o barulho das bombas, dos mísseis, do medo já é, por si só, ensurdecedor.


 

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Resumo de coisas

Na semana passada andei muuuuito estranha, dores de cabeça, mal-estar geral, humm.. não sei não.

Este fim-de-semana decidimos ficar por casa e vimos o vencedor dos Globos de Ouro, na categoria de melhor filme, e fortemente indicado aos Óscares: O poder do cão. Para quem tiver insónias este filme é, certamente, terapêutico.

Comprei mais umas coisas para o meu hobby! Yeeah. I'm so excited.

Consegui vender na Vinted e só queria despachar mais mil coisas que tenho em casa a ocupar. Já disse que devia fazer uma limpeza ao armário, não já? O problema é que penso "mas isto ainda está bom, ainda posso voltar a usar" e depois a peça não volta a ver a luz do sol nos próximos 3 anos.

Ah, também vimos o Impostor do Tinder (spoiler alert!) e óh-meu-deus. Como é que alguém consegue ser tão sacana? Como é que outro alguém faz uma dívida de 250mil euros em empréstimos rápidos, cujos juros devem ser monstruosos por um "desconhecido"? Como se sai de uma dívida assim? Até que ponto o dinheiro não é o motor da ilusão destas mulheres? Se fosse o perfil com mesmo jovem, fisicamente igual, com a mesma conversa, mas que andasse num Fiat uno, até que ponto suscitaria interesse, elas se apaixonariam em 3 segundos e lhe emprestariam dinheiro para uma sandes, sequer? Não acho que a culpa seja delas, acho que ele montou um enredo, credível - até certo ponto - e surreal, logo de seguida, e que elas caíram. 

Na cabeça dele ele deve considerar-se um justiceiro, do género: "não sinto culpa porque estas mulheres só se interessaram por mim pelo dinheiro e pela vida que eu ostento, são mulheres que se aproveitariam da minha posição e do que eu teria, então vou eu aproveitar-me delas", para de certa forma conseguir viver com aquelas decisões, ele destruiu centenas de vidas, roubou cerca de 10 milhões, dívidas que são as vítimas que estão a pagar, em alguma coisa ele se deve agarrar para conseguir, sequer, dormir depois de tudo.

Não tem justificação possível o que ele fez, mas ele montou um esquema, que o salvaguardou, e que parece um esquema de filme. Depois de roubar 10 milhões ele conseguiu sair, de certa forma, ileso. É algo surreal, mas também um alerta, não só para este tipo de esquemas, mas para alguns perigos quando se conhece alguém desconhecido, sobre as suas verdadeiras intenções, nas situações que nos colocamos em perigo físico e psicológico, nas decisões que tomamos de forma impulsiva e que podem ter consequências catastróficas nas nossas vidas. É um mundo estranho.

Eu disse ao marido que nós fomos uma espécie de Tinder pré-histórico, ao contrário. Ele ficou muito confuso com o conceito. Eu explico: Conhecemo-nos como se conheciam as pessoas "antigamente", em festas, em interações sociais, em que se conhecia primeiro a pessoa fisicamente e não pelas redes sociais e que "ao contrário" porque ele não tinha um jato privado, mas um Toyota Starlet de 1980. Ele tinha um "bolinhas", não me fez contrair nenhuma dívida, a única coisa que me fez contrair foi matrimónio, por isso o que mais é que eu posso pedir, hum? Se não é o sonho, nos dias de hoje depois de ver este tipo de documentário, não sei o que é... 

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Eu Georgina



Um minuto de silêncio pelos servidores desta loja, que devem estar a suportar as milhares de candidaturas de emprego depois do documentário da Netflix. 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Olá Fevereiro



Acho que Janeiro passou a voar! Provavelmente foi só para mim, uma vez que as pessoas costumam dizer que é um mês longuíssimo.

Para mim Janeiro é um mês caro. Coincide com o pagamento de algumas obrigações, eu faço anos, os saldos estão aí, o que significa que merecemos uma ou outra coisinha nova no armário, as compras que fizemos para o Natal, o que tudo somado é sempre começar o ano com um desfalque, então o mês passa rápido com tantas despesas. 

Uma coisa que fizemos em Janeiro, porque o tempo está surreal (#ohmeudeus #alteraçõesclimáticas #not fun) é pegarmos numas sanduíches e irmos almoçar na praia. Sabe-me pela vida.

A vida é tão louca que é importante pararmos um bocado, apanharmos um pouco de sol, respirarmos fundo e estarmos gratos.

Não vão acreditar quem já começou a adiantar as prendas de Natal...


Lembram-se do meu mimimi do costume, que ainda aconteceu neste Natal passado, de falar sobre odiar andar atrás das prendas "obrigatórias" da quadra?

As pessoas oferecem coisas, o que cria a obrigação de retribuir, as prendas das crianças, para quem é sempre uma época especial, e que gostamos de oferecer uma lembrança, aos familiares e amigos mais próximos porque são as "nossas pessoas" e porque queremos sempre assinalar a data. Resumo: muitas prendas, pouca paciência, muitas pessoas nas compras, sinto sempre muito stress, coisa que eu não acho que tenha nada a ver com o significado real do Natal.

Vai na volta fomos aos saldos no fim-de-semana passado e já despachamos muitas prendas para este próximo natal.

Para muitas pessoas isto é apenas estapafúrdio mas, para nós, fez imensa diferença (ou pelo menos espero que faça) compramos um total de 140€ (preço antes dos saldos) e ficou-nos a 25€.


Compramos meias de Natal, para os adultos, e roupinhas para os bebés e crianças da família. Tudo alusivo ao Natal. Vai ter que ficar tudo guardado até lá, mas espero que nos ajude a diminuir a pressão que sentimos nessa altura e a poupar uns trocos. Claro que nunca apetece gastar dinheiro nesta fase do ano, ainda agora saímos de uma época pouco carteira-friendly, mas fiquei contente. Mais contente fiquei quando vi que as meias que compramos chegaram à caixa e ainda tiveram uma redução de preço maior do que estava marcado. Se eu sabia tinha trazido to-das. Se no ano passado corremos toda a gente a canecas de Natal este ano será o ano das meias!


Acho que encontramos uma nova tradição lá em casa. 

Ps.: Só não sei como a TLC não me chama para aqueles programas de forretas. 

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Faço 31 anos!

 


A vida começa agora, certo?

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

já vos disse que acho...


A série After Life uma preciosidade? Um enredo nonsense e estupendo?  Um murro no estômago pela noção da realidade que nos traz, de que temos que arranjar ferramentas para aceitarmos os termos e condições deste jogo louco que é a vida, e que conhecemos desde o início? Uma alucinação real. Algo que me fez rir lá do fundo e chorar uma dor alheia, como se fosse minha, sobretudo porque pode ser uma dor nossa a qualquer momento. É uma comédia sobre a nossa existência e sobre o que sobra quando nos tiram tudo.

A maior certeza da vida é que perderemos pessoas, as nossas pessoas, e não há nada que importe mais do que isso, essa doce igualdade que nos coloca a todos na mesma posição, sem que nada possa atenuar esse sentimento, tenhamos mais ou menos idade, mais ou menos dinheiro, mais ou menos poder ou influência. Esta série é sublime, sobretudo porque a realidade ultrapassa qualquer cenário ou personagem, que possamos achar mais ridículo. A vida é assim, ridícula, mas uma dádiva incrível.

A série é em busca do sentido da vida, quando nada mais faz sentido. Esta série é uma prenda.

Não sei se sou só eu...


Mas fico um bocado paranóica quando percebo que há casos positivos por perto...  

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