Tenho dois familiares directos directíssimos, melhor dizendo que são professores e, por outro lado, sou aluna.
Eu acho, sinceramente, que só há bons alunos se houver bons professores e que não pode haver bons professores com este clima de tensão, de ameaça, de intransigência.
Há anos que vejo de perto o que é ser professor.
E ser-se professor é nunca saber em que escola se vai matricular os filhos, no ano seguinte. É nunca saber se vai morar em Viana do Castelo ou em Cuba, no Alentejo. Ser-se professor é ser-se imigrante, dentro do próprio país. É ser-se educador dos filhos dos outros. É nunca saber se algum dia vão, efectivamente, serem moradores das suas próprias casas.
Enfim, por ter estas duas pessoas a dar aulas muito longe, mas mesmo muito longe, só os consigo ver no Natal, na Páscoa e nas Férias. É tamanha a distância que não os tive comigo na minha queima, nem, todos os anos, no meu aniversário, nem em outras mil datas.
Acho que já chega de não se ser razoável neste país e o ministro da educação não o foi. Faz-me lembrar aqueles miúdos chatos e que fazem birras, que não ouvem ninguém e que querem tudo à maneira deles... mesmo que seja uma estupidez.
Assim como é importante este momento de exames é também importantíssimo a qualidade do ensino ao longo dos 12 anos de estudo, porque são esses anos que vão determinar o sucesso ou não nos exames. Por isso, eu aluna, acho que há razões para os professores lutarem. Acho que há razões para todos lutarmos, para um sistema de ensino melhor.