segunda-feira, 1 de junho de 2020

Regresso ao mundo do trabalho real

 Hoje tive que voltar ao trabalho, em contexto real. Estive 2 meses e meio em teletrabalho e é algo que não apreciei muito.
Trabalhar de casa exige-nos o mínimo a nível pessoal e o máximo a nível laboral.
O mínimo porque dei por mim ao cúmulo de, por exemplo, apenas arranjar a parte visível do cabelo para reuniões de Skype. Ou seja, à frente um alisamento marroquino irrepreensível e atrás uma juba monumental, que ainda dava para tirar chocapics para o lanche do meio da manhã. Na parte de cima, uma blusa Mango coleção Executive, na parte de baixo pijama, que será brevemente convertido a panos de limpeza.

E obriga-nos a dar o máximo no trabalho porque qualquer distração depois obrigava a trabalhar já fora de horas, a estar em todas as frentes, email, skype, facebook da empresa, whatsapp, para ter a certeza que não ficava nada esquecido ou em falta. Uma correria virtual enquanto que o meu rabo estava assolapado em cadeiras que definitivamente não são ergonómicas e não foram concebidas para aportar rabos durante tanto tempo. 

Não gostei muito também porque moro num t1 com vista para nenhures, em que o escritório é cumulativamente sala de estar, jantar, pseudo lavandaria e engomadoria, bar e ginásio. É assim um mil em um em 12m2. Como diriam os experts imobiliários é "aconchegante", e enquanto digo isto faço aquelas aspas com os dedos e um revirar de olhos que felizmente não dá para ver.

Enfim, de volta ao trabalho percebi que as sobrancelhas são o novo buço. E que as máscaras  o novo preto.
Pergunto-me se será moda para ficar, se for penso as rinoplastias vão cair em desuso enquanto que as lentes oftalmológicas que dá para ficar com os olhos azuis vão estar em alta. Também acho que depois disto vamos todos ter que poupar algum dinheiro para aquela cirurgia de correcção de orelhas, porque estamos todos a estagiar para Dumbos.
No caminho para o trabalho também percebi que as máscaras penduradas no espelho retrovisor são os novos terços, neste caso não basta só ter fé e mantê-las penduradas é preciso mesmo colocá-las, outra moda gira é as máscaras no queixo, usadas por aquelas pessoas que não estão muito raladas com o covid, estão mais em esconder aquela gordura que temos na parte superior do queixo. Não percebo como é que se acumula tanta gordura ai, sobretudo se há zona onde eu faço exercício é essa...
Só para terminar, dizer que a minha máscara no trabalho é preta.. e tem o formato daquelas proteções que se usam nos cães perigosos, se me virem no trabalho qualquer semelhança com um rottweiler é pura... realidade.

Para ouvir aqui:

quinta-feira, 28 de maio de 2020

O BB 2020


Esta é a primeira edição do Big Brother que acompanho.
E acompanho porquê? Porque tenho uma televisão de 55 polegadas, que é quase do tamanho da minha parede da sala e é a única hipótese que eu tenho de olhar para o horizonte e ver uma piscina infinita e o mar ao fundo da vista.  
Mudava-me amanhã para lá, para a casa, não para o programa. O Big Brother 24h é o resort dos pobres, é o que eu sinto. Por acréscimo ao cenário tenho que levar com o programa.
Ora, não vi as outras mas esta edição trata-se de um programa muito internacional, há pessoal da venezuela, brasil, londres, suiça, estados unidos, há quase mais estrangeiros lá do que na rua Augusta, antes do Covid, coisa que não é fácil.
No programa temos uma miss, que veio dos Estates, foi obrigada a vir para Portugal depois do pestanejar dela ter provocado o furacão Katrina, em 2005.  

Temos o bombeiro de Valongo, que é uma terra que eu simpatizo e onde já trabalhei um ano, graças a deus nunca precisei de ajuda daquele bombeiro. O jovem cada vez que é nomeado só falta dizer que lhe vai fazer a folha cá fora e aparentemente os Bombeiros Voluntários de Valongo já se vieram demarcar da postura do jovem. Ter um bombeiro a dizer a alguém que lhe devia ser negada ajuda só porque o nomeou num joguito da treta diz muito sobre o carácter de alguém. Shame.  

Há um mentalista que hipnotiza pessoas e parece ser bom, porque hipnotizou de tal forma a Soraia, que a miúda não o larga.
Há a miúda da Suiça que, com 22 anos, parece ter mais rodagem que o meu carro do trabalho, que já foi comprado em segunda mão, a uma bailarina do Micael Carreira, por isso imaginem.

Enfim, o ano de 2020 está a ser um ano mau para todos, que nos leva a ver este tipo de programas, está a ser mau para nós, para o comercio, os restaurantes, os ginásios, as companhias aéreas, à excepção, claro, daquelas que vão lá passar mensagens, para essas está a ser um grande ano e a continuar assim, em Julho, estão a fazer propostas para comprarem a TAP...

Para ouvir, no Spotify, aqui:

terça-feira, 26 de maio de 2020

Diários da Quarentena #8


A atividade física é uma farsa.
Face à quarentena, decidi começar a fazer exercício diariamente, mas, mesmo assim, o peso  aumentou.
Quem diria que os 20 sprints, por dia, que eu fiz do sofá ao frigorífico não servissem de nada...

sábado, 23 de maio de 2020

Aquele orgulho ferido


Já repararam que reagimos de forma muito particular quando falam mal das nossas coisas e dos nossos? Fere-nos o orgulho? Percebi que, no geral, somos muito territoriais e defensores das nossas coisas.

Já me aconteceu eu estar a falar da terra de onde eu nasci num almoço, a um grupo de pessoas, em que uma das pessoas eu não conhecia sai-se com "Hiiiii, mas tu és lá do fim do mundo".
Wow, nasce em nós uma semi fúria, orgulho ferido, e apetece logo perguntar: "quem és tu pá  para estar a falar mal da minha terra?"
Ao que ele continua: é que eu moro cá há muito anos, mas nasci lá, sou teu conterrâneo.
E pronto ai, toda a fúria vai embora e passa para o extremo oposto. Yahh, nem a internet funciona, é uma seca, não há acessibilidades nenhumas. Ou seja, só os "nossos" é que podem falar mal.

É um pouco como quando falamos mal de portugal: "Ehhh, o ordenado mínimo é uma miséria, os profissionais são pouco valorizados", mas depois se ouvimos um estrangeiro falar mal de Portugal e salta-nos a nossa veia temporal, começa a saltar na testa, e saímos de nós, apetece logo dizer: "lá no teu país deve ser melhor, queres ver". Passamos dos dois extremos muito rapidamente.
No fundo é como falar mal do nosso namorado, mãe, amigos. Nós podemos, ou outros se dizem alguma coisa, saiam da frente, estamos pronto a aplicar um golpe de muay thai que desconhecíamos até que sabiamos.

Nós mulheres também temos uma coisa muito particular, quando uma amiga se queixa do namorado, podemos passar anos a ouvir que ele é um este, um aquele, um sem vergonha, um aqueloutro, mil e quinhentos defeitos, mas depois nós temos que ter muito cuidado, porque se insistimos muito que ele não presta, lá vem a fúria territorial, que nós conhecemos, somos logo obrigadas a corrigir o nosso discurso, epá "eu sei que ele foi uma besta (mas corrigimos logo para "um pouco insensivel"), mas certamente que não foi por mal, de certeza que ele tem uma razão válida para ainda falar com a ex namorada no whatsapp"...



sexta-feira, 22 de maio de 2020

Grupo das Bimbas



Aderi à bimby por intreposta pessoa. A sogra ofereceu uma bimby o que me torna bimbólica por associação. Classe que eu tenho ainda alguma resistência a aceitar que pertenço.
Ora ora, tenho uma bimby o que fazer? É uma espécie de maternidade para a qual nos temos que nos preparar e como o fazer da melhor maneira? Como? Aderir a um grupo de facebook, que é onde sabemos, que jorra a informação mais fidedigna do universo.
Desde aí, que eu faço o que posso para me controlar e não deixar lá uns comentários, que me dariam o passaporte para ser expulsa do grupo.

Então mas o que sucede no grupo das bimbys, aka bimbas, vá:

Perguntas que surgem:
Esta foi no pico do estado de emergência, pessoas a morrer, covid a acontecer, alma bimba pergunta: O que fazer para um jantar de 12 pessoas, em casa, para amigos?
Apetecia responder: Comece por colocar na bimby o seu cérebro, pique na velocidade 7 durante 2 minutos. Sirva em pequenas taças, leve ao frio e está pronto. Há pessoainhas poucochinhas, que não há?

Outra pergunta que vi esta semana foi:
Tenho 1kg de camarão cozido, o que fazer?
Apetecia responder: Comece por abrir uma mini, sente-se na varanda, descasque o camarão e mastigue por 30 minutos. Alterne com a mini e já está. Coma, caraças. O que fazer com camarão cozido,

Tenho alheiras que preciso gastar o que fazer?
Apetecia responder: Faça as alheiras numa sertã e adicione um ovo a cavalo. O que fazer a uma alheira? Amigos, eu já morei um mês em Mirandela, e jovem não estraga alheira. Parece-me aquelas perguntas tipo: Estou aqui no bar da praia, está um solzinho bom, estou sentado numa esplanada e tenho aqui uma super bock fresquinha à minha frente, o que fazer?
Tipo é que não se percebe.

Tenho imensos limões, o que fazer?
Amiga, faça limonada. Se a vida te dá limões... Já se a vida te der uma bimby, vai para um grupo de facebook fazer perguntas parvas...

Tenho 4 iogurtes em casa, o que fazer para os gastar?
Coma um por dia, ao pequeno-almoço, até terça-feira.

Comecei a fazer uma omelete, mas ainda está muito líquida, o que fazer?
Ora bem, realmente esta é difícil, ou decide sorver a omelete por uma palhinha ou então, de modos que, deixe estar mais uns minutos até a porra da omelete estar pronta. Valha-me deus.

Dá a impressão que se a Vorwerk vendesse acessórios, do género, como cesto de neurónios, dava um jeitaço.



quarta-feira, 20 de maio de 2020

Cheguei ao Podcast


Estou a aventurar-me no Podcast.
 Caso tenham curiosidade estou aqui.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

A casa

bedroom, decoration, and bed image

Soubemos hoje que os donos da casa que andávamos a ver e pela qual nos apaixonamos desistiram da venda. É estranho porque nos imaginamos a viver lá, porque sonhámos com as renovações que iriamos fazer. Enfim, custa um bocadinho, mas o que é isso num ano em que está tudo ao contrário, em que nada é aquilo que se estava à espera.
Este é o ano das reviravoltas.

Big Brother 2020

food, nature, and view image

Hoje assisti aos gritos e choros histéricos da concorrente vegan, porque estavam a cozinhar uma galinha. Não sei se vão passar as imagens, porque vi em directo, mas foi qualquer coisa...
Percebo que comemos mais carne do que efetivamente precisamos e que há vantagem em fazermos uma refeição vegetariana um dia por semana, por exemplo ou diminuirmos este consumo.
O mal de muitos vegan é que eles tentam evangelizar os outros a toda a força e estas fitas histéricas, os gritos, as acusações a quem come carne e peixe, epá... parece-me tudo muito fora do bom senso. 

terça-feira, 12 de maio de 2020

Valentina

ballet, baby, and dance image

Diminutivo de valens, valentis. Quer dizer “valente, forte, vigoroso, cheio de saúde".

É preciso nascer-se valente quando se nasce de um monstro, quando não nos calhou em sorte ter alguém que nos cuide, que nos proteja acima de qualquer coisa.
Desculpa Valentina por não te protegermos, por nós, sociedade, não termos percebido, antecipado e te protegido. Desculpa aquilo que sofreste, os anos que te tiraram, os sorrisos que te roubaram.

Não há justiça possível nesta situação. Anos de cadeia não apagam a dor que te causaram, não devolvem as gargalhadas que te tiraram. Desculpa que te tenha calhado alguém, que ao ver-te morrer, não tenha tido a humanidade de perceber o erro e ter chamado socorro, de perceber a monstruosidade do que estava a fazer, do que te estava a roubar.

Valentina que estejas hoje em paz, sem medo, sem receio, em segurança, que tenhas agora aquilo que não tiveste em vida, que onde estiverem tenhas tranquilidade, que é algo que nós, cá, não temos, enquanto soubermos que há pessoas assim e que pode ser o vizinho do lado, o senhor pacífico lá da fábrica, a senhora que frequenta a mesma aula que nós no ginásio.
Que a tua partida sirva de alerta, para que os educadores, as famílias, a sociedade prestem mais atenção e que se salvem outras Valentinas.

Hoje estás no coração de todos nós.

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Diários da Quarentena #7





Ando a comprar e a comer os meus sentimentos, if you know what i mean.

Já encomendei coisas no Leroy, que chegaram cá a casa num piscar de olhos, com o objetivo de chegar perto do que está na foto. Ainda estão nas caixas para o namorado aplicar. Comprei também um candeeiro, falta comprar um casquilho, para o colocarmos. Enfim, you name it. 

Já comprei roupa na Mango. Já encomendamos sushi, que nos soube pela vida, palavra d'honra. Nem vos digo nada... Eu consumista em recuperação, cujas compas andavam há anos nos limites mínimos e controlados, só no aniversário ou nos terceiros saldos, assim tudo muito contrado e agora isto, anos nos grupo dos shoppaólicos anónimos e agora isto...

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Diários da Quarentena #6

Se eu vos dissesse as horas que passo ao telemóvel a falar com os meus pais e a tentar meter na cabeça do meu pai que não pode sair de casa e isto é um drama real e que não pode facilitar. Por que raio estas pessoas, que já deviam ter idade para ter juízo, acham que são os maiores e que já nada lhes mete medo. Óh nervos!

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Diários da Quarentena #5


How 'Unorthodox' Captured One Woman's Flight From Hasidic Brooklyn ...

Tenho assistido na Netflix algumas séries. Uma delas é a Unorthodox, que é uma história baseada numa autobiografia sobre uma jovem que foge a um casamento e religião castradora. É boa, gostei .



How often should Netflix's The Circle episodes have been released ...

Este é o novo reality show da Netflix.
A Netflix acusou, inclusive, a TVI pela semelhança deste novo formato inicial do Big Brother, uma vez que no The Circle os concorrentes estão todos num T0 e só se comunicam por perfis de redes sociais, que podem ser verdadeiros ou totalmente falsos, como acontece na vida real. É bom para perceber as farsas fáceis das redes sociais e como, mesmo assim, se conseguem influenciar os outros.


Love Is Blind (TV Series 2020– ) - IMDb

Este último está no Top 1 da Netflix USA, o reality show mais visto e cujo conceito eu adorei.
Um grupo de pessoas solteiras entram num programa para procurar o amor. Até aqui nada de novo.
Separam os participantes por géneros, todas as mulheres vão ter encontros com todos os participantes homens. Vão tendo vários encontros, de acordo com as afinidades que forem desenvolvendo.
Tudo isto, sem se conhecerem fisicamente. Só conversando em salas com separação física.
Se encontrarem "o tal" ou "a tal" devem pedi-los em casamento, sem nunca verem as pessoas, e depois casarem (ou não) em 3 semanas.

Adorei do início ao fim. Recomendo, sobretudo para quem gosta destes programas.

segunda-feira, 27 de abril de 2020

A minha vida dava um filme

fashion, style, and outfit image


Metade da minha vida está escrita neste blog.
Já aqui contei a saga que foi até o namorado decidir avançar com o casamento. 10 anos! 10 anos!
Já aqui contei que ultimamente li uns emails que ele mandou à ex namorada no início, quando nós já namorávamos, a tentar marcar jantares com ela, a dizer que mesmo que um dia casasse ia sempre pensar nela, beca, beca. Giro de ler quando se está com o casamento marcado. (Not!)

Como se não fosse filme suficiente... Na outra semana o meu ex namorado publicou uma foto nossa no instagram e enviou-me uma mensagem. Também 10 anos e pouco depois de eu ter terminado com ele.
A dizer que se eu resolvesse não casar, e quisesse ver se nós ainda resultaríamos, que podíamos tentar. Que até eu dizer o "sim" há sempre essa possibilidade, mas caso decidisse casar que me desejava as maiores felicidades. 

Oh pá... Já dei por mim a pensar que se ele soubesse o dia e a hora era menino de aparecer perto da igreja, mesmo que de longe. Ele é/era dado a essas coisas meio à filme.
Não há nada em mim que me faça hesitar em casar, pelo contrário, tenho pena que não possa acontecer e que provavelmente tenha que adiar no-va-men-te

Apesar de tudo é surreal que 10 anos depois ele ainda pense como seria, eu ter marcado alguém assim é algo que não sei se gosto, acho que preferia que ele me tivesse esquecido e seguido com a vida dele. Não quero ter 1% de probabilidade de empatar a vida a ninguém. De certo modo, sinto-me responsável... depois de acabar com ele teve que fazer psicoterapia pelo que sei, passou uma fase má, enfim.


Mas será possível? Por isso é que este casamento não anda... é só maus-olhados... tenho que ir à bruxa (emoji a chorar de rir), se conhecerem uma boa avisem. Não me venham cá é com aquelas que diziam que 2020 ia ser espetacular...
 

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Diários da Quarentena #4

Já fiz pães de leite e já cortei o meu cabelo, em casa.
Até agora tudo certo.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Diários da Quarentena #3

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Vimos o filme "O Milagre na cela 7".
É óptimo para ver nesta altura em que precisamos de algo que nos anime.
Mentira, é uma cilada. Só vejam se quiserem mais 7 motivos para chorar mais um pouco.

terça-feira, 14 de abril de 2020

Diários da Quarentena #2

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Antes disto tudo tínhamos o curso de preparação para noivos marcado na igreja...
Já passou um mês que estamos os dois, em casa, juntos 24h por dia, em 60m2 e ainda não nos matamos um ao outro, será que já posso ligar ao padre para pedir equivalência?

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Diários da Quarentena #1

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Saltei um portão, de um terreno abandonado aqui ao lado de casa, para ir "roubar" limões.

You know what they say... quando a vida não te dá limões... arranjas um limoeiro abandonado e vais buscá-los.... 

Há um mês...

Image by I'm A Diamond

Há um mês que não vou ao sushi, não vou à praia comer gelado, que a Via verde não vem buscar uma fortuna em portagens.

O dinheiro que está na minha conta deve estar bastante confuso. 
Só não há grande problema porque já deixei metade no supermercado (que situação é esta que andamos a comer a cada 15 minutos) e ainda haverá menos quando vier a conta da luz...

domingo, 22 de março de 2020

[pesadelos]

[Ontem meio que adormeci no sofá.
Quando acordei ainda naquele estado pouco consciente lembro-me de ter pensado: então não é que fui sonhar que havia um vírus que contaminava toda a gente e que nem sequer podíamos sair de casa. Lembro-mo de ter achado um disparate lunático, «de filme» aquilo que eu tinha «sonhado».
Depois perceber que não foi um sonho, que era um pesadelo real... mas são indescritíveis aqueles momentos em que percebemos que o que está a acontecer é infinitamente mais surreal do que qualquer argumento de ficção científica.]

quarta-feira, 18 de março de 2020

[Coronavirus]

Não sei como começar, mas 2020 está a ser um ano difícil para todos.

Há uma semana que tenho dois colegas diretos em quarentena. Um esteve  no Hard Club e outra que esteve com um amigo infetado. O meu patrão ainda não deu ordens de encerramento, por isso tenho ido trabalhar. Ontem e hoje meti férias, amanhã não sei, caso não haja encerramento devo ter que ir trabalhar. Perdão, olhar para as paredes porque as minhas consultas estão suspensas, então é mesmo olhar para as paredes do meu gabinete.

Temo que o futuro seja uma incerteza, por enquanto o casamento é a última das minhas preocupações, é mais importante a saúde das pessoas do que uma comemoração deste género. Casar agora iria ser um misto de sentimentos entre medo/felicidade/tristeza por tudo aquilo que está a acontecer. Caso seja necessário acho mais sensato adiarmos e termos um dia pleno, feliz, onde possamos dançar todos juntos sem medos da proximidade, onde os abraços sejam uma benção e não um tormento.
Para quem pode, e felizmente, está em casa a zelar pelo bem-estar comum, eis algumas sugestões:


Museus:

Visita ao Museu do Vaticano aqui.

Visita ao Museu do Louvre aqui.


Concertos:

Hoje há concerto do Fernando Daniel, entre outros artistas.

Resultado de imagem para eu fico em casa concerto

Comédia:

Amor com humor se paga aqui.


Exercício:

20 minutos, por dia, de exercício em casa e sem necessidade de equipamentos  aqui.



Fiquem bem, fiquem em casa.

terça-feira, 3 de março de 2020

Dores de crescimento

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Eu o namorado sofremos das dores de crescimento, em vários aspectos.
Apesar de sabermos que há várias pessoas da nossa idade que já casaram, já compraram casa e já vão praí no segundo filho nós tendemos a ir com caaalma, muita calma. O que não está errado. O namorado com calma no casar, eu com calma no ter filhos e eis que chega a terceira parte da história: a casa.
Esta calma não é má à excepção de quando nos saí do bolso, todos os meses, anos a fio. Ora bem, nós moramos numa casa arrendada, o que no início era a única solução viável agora começa a pesar, porque estarmos a pagar a casa de alguém, em vez da nossa. São 15 mil euros, no total, que até Setembro vamos ter pago à nossa senhoria. Não vale a pena olhar para trás, mas também sabemos que devemos olhar para a frente e percebemos que é um valor que, a continuar, nos penaliza.
Temos feito algumas visitas a imóveis e amigos... está tudo pela hora da morte. Não é uma boa fase para comprar e a nossa questão é que não podemos esperar mais 3, 4 ou 5 anos nesta situação até que as coisas melhorem, mesmo por causa da idade para os empréstimos, etc.
Pois bem, vamos ter que sair do centro de Aveiro para muita pena nossa, estamos perto de tudo, o trânsito é pacífico e sentimo-nos seguros, mas os valores são incomportáveis, acho que está toda a gente a tentar testar os limites da banca, o que não me parece, à partida, uma boa ideia.

Há pouca construção, a nova está catalogada como premium, com "acabamentos de luxo"… amigos não são acabamentos de luxo… são materiais novos... apenas e só. Muitos deles não passam de chão flutuante, paredes em pladur, tetos falsos e cerâmica nova. Não me venham com essas de acabamentos de luxo… Não é mármore italiana, nem tapetes da Pérsia...

Um dos imóveis que fomos ver ficou-nos no coração. Precisa de algumas obras, mas coisas mais superficiais e menos estruturais. Ficamos fascinados com o facto de podermos viver ali, o fascínio pode não ser muito bom e pode toldar-nos da realidade, mas foi isso que aconteceu… começamos a imaginar-nos ali. Nós, a fazer retoques, a ter espaço para arrumação, a poder receber a nossa família, enfim, mil cenários. Contudo, tenho medo que esta opção nos deixe em stress financeiro. Serão 35 anos a pagar uma mensalidade que impõe algum respeito. Depois olhamos para o lado e vemos que o imobiliário está todo caro e mesmo que façamos cedências vamos acabar por comprar algo, no máximo, 30mil euros mais barato. Será que compensa a longo prazo? Será que devíamos ir com mais calma, comprar algo mais barato e poder continuar a viajar, pagando a casa em menos anos? Prescindir de algum conforto e área, mas viver mais descansados? O meu "eu interior, pessimista e forreta grita: compra algo mais barato e depois vê como a vida corre..."  

Ok, as outras opções que vimos não são comparáveis mas dão para vivermos na mesma. Será um capricho estarmos a ponderar gastar o nosso budget máximo para uma casa? Não sei que vos diga, mas que estamos confusos, lá isso estamos...


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

[Sobre a eutanásia]

Eu não devo ter o poder de decisão sobre a vida de outra pessoa que está em sofrimento. A minha liberdade acaba quando começa a do outro e a minha opinião também termina quando eu desconheço o tamanho do sofrimento dessa pessoa. A eutanásia ou suicídio assistido deve ser uma alternativa para todos os que querem morrer dignamente.
Uma senhora, uma velhota católica, dizia em reportagem de rua que temos que respeitar os desígnios de Deus e que ela vai viver até morrer e será sempre com dignidade, seja de que forma for. O problema é ninguém sabe o dia de amanhã e espero que aquela senhora nunca se veja numa condição em que afinal viver não esteja a ser assim tão digno. E que nessa altura outros decidam que ela vai ter que continuar naquela situação sem poder escolher por fim ao sofrimento.
É importante pôr fim ao turismo do suicídio, que até para morrer dignamente, mas longe de casa, é preciso ter muito dinheiro. A vida é um direito em si próprio mas a morte, sobretudo em situações tão delicadas, também deve ser.
É um passo histórico e espero que não seja vetado, que não seja entendido como inconstitucional.
A vida é um direito inviolável mas quão trucidada está a ser a vida quando se está dependente, quando se sofre as dores que a morfina já não apazigua.
Não podemos achar que temos o direito de decidir sobre a vida do outro, que vamos achar sempre digna a vida seja em que circunstância for, mesmo quando se é alimentado por sonda, quando dependemos de outros para as coisas mais básicas, quando as dores das escaras são a primeira coisa que se sente ao acordar e a última que se sente antes de ir dormir. Viver é mais do que isso, deixemos as pessoas viverem em paz, mas também elas morrerem em paz.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Cuscar as ex namoradas do namorado? Quem nunca...

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Ora eu e o namorado não temos grandes segredos. Ele usa o meu telefone, eu uso o dele, não há grande coisa a esconder. O meu email e facebook estão quase sempre com login automático no pc dele e quando fiquei sem telefone recentemente usava o dele quase como se fosse o meu.

Esta semana, ele deixou o email dele aberto no meu telefone porque eu precisei de consultar um email de uma compra que fiz na Women Secret na conta dele. Uma vez que para novas compras eles dão 10% de desconto, ou seja sempre eu na forretice do costume.

Pois que quando estava no meu trabalho fui novamente ao email para rastrear se a encomenda já tinha chegado. Eis senão quando tenho uma brilhante ideia. Então e seu escrevesse na pesquisa "Kátia" (sim com k, uma klasse, perdão, uma classe...) que é o nome da ex, no email dele a ver se ainda aparece aqui qualquer coisa?
Ora nós namoramos à 10 anos e pois que aparece emails com a data de Janeiro, Fevereiro, Março, Abril, Julho de 2010. Mau... Não é preciso ser um génio para fazer contas. Mãozita que segura no telefone começa levemente a tremelicar.
Então este sacana ainda falava com a ex. quando supostamente já estávamos juntos?? Pois, que efetivamente parece que sim. Nos primeiros meses, mas sim.
Um dos emails pode ler-se: "Posso casar, posso ter filhos, mas vou sempre gostar de ti, amo-te. Basta estalares os dedos e eu volto para ti".

Paixão de adolescente sanada, espero eu, pois que espero que ela não surja do oculto e estale os dedos. Epá, com tudo o que já gastamos no casamento e na trabalheira que isto está a dar não dava jeito nenhum agora. 
A minha vida dava ou não dava para uma série da Netflix? Netflix se me estiveres a ler, chegamos a acordo tranquilamente... são 500mil euros e eu cedo os direitos de autor e escrevo o guião. Dá para 7 temporadas à vontade e é romance, é comédia, é "traição", é terror. É tudo o que um guionista pode querer.

Casamento: Expectativa e Realidade

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Tudo o que envolve casamento gera uma enorme expectativa, dos noivos, dos pais, da família.
Há aquela pressão de ser "a fase mágica", "o" dia, aquela "one shot", que não dá para repetir.
A propósito do post do blog "As minhas pequenas coisas" sobre as coisas que a S* mudava no casamento dela acho que fica perceptível que expectativa e realidade são coisas muito diferentes.

Ora vamos lá:

Expectativa 
Ser pedida em casamento numa viagem, num sítio emblemático, que represente o nosso gosto por viagens, que será também o tema do casamento, uma coisa planeada, que sabemos que deu um trabalhão enorme, tudo aquilo só para nos surpreender. Aquele momento que só não vai ser embaraçoso porque estás a mil quilómetros de casa e não estás nem aí para as pessoas. Um joelho no chão, uma surpresa bem planeada e que nos deixa absolutamente surpreendidas.


Realidade
Num fim de tarde em Gaia onde fomos ter com uns amigos, já cansados, íamos voltar para casa quando ele diz: "Vamos até ali ver a vista para o Porto", ele senta-se ao meu lado e saca de um anel... 


Expectativa
Escolher a data ideal, aquela que maior parte da família e dos amigos vai estar presente. 
Que haja flores e tempo quente. Fiesta!


Realidade
Escolher uma data, das poucas que sobram, de um dos poucos sítios bons disponíveis. No mês e data possível. Preparas tudo e poucos meses depois ligam-te a dizer que se enganaram e que afinal aquele dia já está ocupado na quinta e que temos que escolher outro dia e mudar tudo aquilo que já tínhamos contratado para aquele dia.


Expectativa 
Escolher a Igreja mais bonita, aquela que mais significado tem para ti e que quando os amigos vierem de longe vão dizer ainda assim, "epá é longe mas a Igreja e o local em si é muito giro, sim senhora".


Realidade
A Igreja entra em obras 12 dias antes de te casares. 
Boa!!!! Essa pontaria não tenho eu para outras coisas.


Expectativa 
Que a melhor amiga de infância fica eufórica e demonstra o mínimo de entusiasmo. 


Realidade
A mãe dela morreu há uns meses, provavelmente não está a ser a melhor fase da vida dela. O interesse no casamento é -20%. Sendo que se tiver damas de honor nem sinto que haja conexão para a incluir e será apenas uma convidada como muitas outras.


Respira fundo Eva Luna... Agora percebi a razão de chamarem as noivas de bridezillas, fica mesmo difícil. O universo parece que conspira, as 'ssoas não colaboram. 
Óh vida, mas ainda assim é seguir em frente, that's life. O objetivo não é ser perfeito, mas fazer sentido e ter significado. 


Alguma expectativa e realidade bastante díspar que tenham tido nos vossos casamentos?
Ou só cá mesmo eu e a S*? 

A importância das coisas

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Ora bem... 
Continuo sem carro. Os mecânicos não sabem o que lhe fazer e eu estou mesmo a ver que vou ter que abrir os cordões à bolsa num ano em que tinha supostamente mais em que pensar e onde gastar.
Liguei para a Igreja e tcha tcha tchammm.. A Igreja que eu escolhi, por razões sentimentais e que tinha o maior significado para mim, vai mesmo entrar em obras.. A Igreja tem 400 anos e vai entrar em obras 12 dias antes de eu me casar, o que impossibilita, de todo, o casamento lá.

Já passei todas as fases.
Revolta: Raio dos gajos da quinta que me mudaram a data, se fosse na data que nós tínhamos inicialmente marcado ainda casava naquela Igreja. Eles que nem se atravessem à minha frente!
Esperança: Todas as obras em Portugal atrasam porque razão esta não vai atrasar? Vamos ter fé!
Desespero misturado com choro compulsivo: Óh não, as obras não vão atrasar e vou ter que casar numa Igreja que não me diz nada, a 40kms de casa! Tudo o que eu tinha planeado, tudo, era em torno da quinta e da Igreja e de repente cai tudo por terra.

Por fim, vem a aceitação, a custo mas vem. Esta semana vimos aquelas 4 reportagens da Alexandra Borges, sobre um casal em que ele tinha cancro terminal e em que casaram num quarto de hospital. Quando vemos isto desta forma percebemos que sim, ficamos tristes, a Igreja era a dos meus sonhos, a paisagem era um máximo e eu sendo católica tinha uma mão cheia de razões de me casar ali, mas há coisas mais importantes e que nos chamam de novo à realidade e isto é uma delas.

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