sábado, 20 de fevereiro de 2021

Como estão vocês?


Como está esse confinamento?

Quem achava, como eu, que ia dar para fazer tudo, desde arrumar a gaveta das meias a limpezas profundas ou a treinos diários e até à data cumpriram bola? Só eu?

Neste momento estou a fazer uma rave, de phones nos ouvidos, a curtir música como se tivesse no Rock in Rio enquanto bebo uns copitxos, o que diz muito sobre o estado da minha saúde mental neste momento.

Raio de cena que está a acontecer. Aguentem-se fortes!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

[...]

Morreu o pai de uma amiga minha, com covid. 

Estiveram os dois internados nos cuidados intensivos. Ela resistiu com sequelas, ele não. Ela tem 30, ele 55. Hoje aqueles números têm um rosto. Sempre que estivermos cansados disto devemos seguir com a certeza que não queremos ser nós naquela situação.

Liguei-lhe e chorámos juntas. Muitas vidas serão ainda choradas. Vamos fazer de tudo para que não sejamos nós a chorá-las.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Podcast


 Detalhes sobre a minha vida extravagante, desfecho sobre a fatídica reunião de zoom e afins para ouvir no podcast desta semana aqui.

domingo, 7 de fevereiro de 2021

F*da-se!


Reunião super importante por Zoom.

Ok Eva Luna vai correr tudo bem - digo eu para eu, sabendo que panico a falar para muitas pessoas.

Preparo-me, visto-me com roupa que não é leggings e sweat, o que já é por si só inusitado neste confinamento.

Respiro fundo, tudo aquilo foi montado para ouvirem a minha intervenção. Largas centenas de pessoas do outro lado. A mesma foi treinada ao pormenor.

Trago um copo de água para junto do pc porque como sei que fico "abafadinha" quando fico nervosa, com a respiração ofegante e penso: "ahram, quando isso acontecer bebo um gole de água e ganho tempo para respirar e disfarçar a voz tremida".

Começo nuns primeitos 5 minutos brilhantes, modéstia à parte, pau pau pau, a minha apresentação a fazer sensação. O facto de não ver as pessoas ajuda imenso. Apresentação dinâmica, videos, música a marcar o ritmo em momentos chave. Eva Luna a dar tudo.

Ao arrastar o rato, e com o fio do mesmo, verto o copo de água em cima da tripla onde estão ligados 2 pcs e um monitor. O quadro da luz dispara, o modem da net desliga-se e a minha intervenção cai.


F*da-se, é tudo o que tenho a dizer...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Os meus bons timings

 Estou com uma infeção urinária.

Solução que me apresentaram: ir para as urgência de um hospital central. Great!

Hell no, sem hipótese de ir empacotar as urgências para me passarem um antibiótico. Sem mencionar da possibilidade de entrar com uma infeção e sair com duas. Não, não... Deixem estar. Eu lá me resolvo.

Fiz 30 anos, em pleno confinamento

Fiz 30 anos e senti que faz sentido fechar um ciclo, dei por mim a separar roupas que já tinha desde os 18 e que não fazem mais sentido. O que conseguir vendo, o resto vou dar, tal como já disse.

Prefiro mesmo ter menos coisas e mais assertivas, mais ajustadas a quem sou hoje. Não é bem aquele conceito do "pouco mas bom" no sentido de ser caro, uma zara, mango, stradivarius, serve-me perfeitamente desde que bem conjugados. Vou, sem dúvida, continuar a comprar peças de 3,99€ ou 5€ se achar que fazem sentido, com outras mais caras.

Uma coisa que tenho que fazer é "aproveitar" mais a roupa que tenho. Normalmente uso o que está mais à mão e as conjugações mais familiares e rápidas de manhã. Contudo, no outro dia usei uma peça que estava no armário à anos numa conjugação com outra peça, também pouco ou nada usada, e percebi que tenho que "estudar" mais as coisas que tenho, de forma a comprar menos, mas apenas peças-chave que completem um look. Estou a tentar fazer um esforço de não comprar tanta roupa preta, que é a minha cor "confortável" e a direcionar a minha roupa mais para tons nude, pastel.  

A minha inspiração vai andar por aqui: 







quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Minimalismo


Estive a ver um documentário na Netflix sobre o minimalismo e eu, que não sou apologista dos lados extremados de nenhum documentário, concordo (mas sem fundamentalismos) com a mensagem geral do documentário.

Cada vez compramos mais coisas, de forma mais compulsiva, para preencher necessidades mais superficiais, para esconder ou mascarar necessidades reais.

É uma receita para a insatisfação porque nunca vamos ter tudo aquilo que queríamos comprar, para além disso são lançados diariamente milhões de produtos que visam criar novas necessidades, o que torna esse processo ainda mais frustrante.

Desde pequena que gosto de destralhar. Lá em casa era uma limpeza de vez em quando, não sossegava enquanto não deitava aqueles documentos, do dia-a-dia, datados de "mil nove" todos fora, aquelas flores de plástico antigas que decoravam a casa, aqueles bibelôs que não faziam sentido nenhum, aqueles naperos, arrumava com tudo o que pudesse. Sempre que podia "dava a volta", arranjava um saco grande e com a devida supervisão tratava de lhes dar um fim. Já bastava aqueles móveis massivos, que ocupavam todo o espaço, quando consegui desmontei o móvel da sala e converti-o num aparador. Tirei as maçanetas e pintei-o e está na sala lá de casa até hoje. Já na adolescência acho que comprei mais do que devia e precisava, algo que penso ter corrigido.

Tenho feito a minha parte neste processo nos últimos anos. Acho que faz sentido pensarmos e comprarmos de forma mais sustentável e consciente.

Para não falar que sou fã de arquitetura minimalista, quem me dera ter um espaço amplo, clean, como o da imagem em casa. Ter espaço não para encher de coisas, mas para viver mais confortavelmente, com as coisas certas.

Mesmo em roupa limito as minhas compras aos saldos e com o mindset de "menos é mais", estou numa fase em que não faz sentido comprar algo que gosto "mais ou menos", tenho que gostar e ser tudo aquilo que eu procuro e preciso. Quando posso vendo o que não uso, já separei uma parte de roupa assim, alguma dela nunca cheguei a usar, se não conseguir vender certamente irei doa-la.

Não me vou converter num pregador desta filosofia, mas que faz sentido aplicar algumas coisas na minha vida, lá isso faz.

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Quem são estas bestas quadradas?


Já falei nesta questão so podcast.
Quem são estas abéculas que acham piada a estas notícias??
Eu juro que não entendo.
 

Redes sociais, casamentos e homicídios

 


Para ouvir aqui ou aqui.

domingo, 24 de janeiro de 2021

Que me-do.

Fui votar, 

Ao ver as projeções das eleições não posso deixar de ficar um pouco assustada. Todos nós conseguimos apontar coisas que estão erradas, difícil é mostrar um plano consistente, exequível, democrático, que respeite todos os cidadãos e que faça melhor. Esse é que é o problema.

domingo, 17 de janeiro de 2021

Pipoca e Arrumadinho gate

O estranho caso da Pipoca e do Arrumadinho. O mistério adensa-se.

Ao ver o instagram deles percebemos que o Arrumadinho tirou todos os “gostos” das fotos dela. :/ 

Ele também deixou de a seguir no insta.

Sabemos todos que hoje em dia, isto é um statement do estado das relações. É uma forma de se tentar marcar uma posição e que todos vejam. Teme-se o pior.





quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

A Pipoca Mais Doce e o Arrumadinho estão separados?

 








Sigo os dois nas redes sociais, não fossem eles a monarquia aqui dos blogues. Uma pessoa respeita a hierarquia e acompanha como acompanhou desde o início do blog, já desde 1957. O que é certo é que quem os segue já deve ter reparado que algo estranho se está a passar no reino dos iogurtes. 

Ele tem postado fotos com antigas namoradas, a classificar como "os melhores momentos", "melhores viagens". Ai do namorado que me viesse agora postar nas redes sociais galdérias do passado e dizer mimimi que naquele tempo é que era, que quando chegasse a casa encontrava os trapinhos no quintal do vizinho. 

Na festa de aniversário dela nem sinal do marido e agora que desde ontem aparece em vários programas sem aliança... huummm. Teme-se o pior. Se for o caso tenho imensa pensa, tal como disse na primeira vez, eu sei que o mundo não é cor-de-rosa, mesmo quando parece que tem tudo para ser, vida real é outra coisa, bem sabemos, mas tenho sempre pena por cada projeto que falha, sobretudo quando se tem filhos. 

Enfim, pode ser que com o confinamento acertem agulhas. 



sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

As minhas festas...

Fui a casa no Natal. Éramos 3. O meu irmão, que está fora, naturalmente decidiu não vir (e bem).

Não tirei a máscara e nas refeições não comi na mesma mesa que os meus pais. Fui no dia 24 e voltei no dia 25, logo depois de almoço para diminuir o tempo de contacto. Passamos a noite a fazer videochamadas aos tios e primos e o espanto era comum em todos eles "então vocês estão de máscara?", com o mesmo espanto de que se vissem o rodolfo pelos céus a arrastar o pai natal. Outros acharam imensa graça, como se fosse um capricho ou uma piada.

Sim, de máscara. Não foi o Natal ideal, nunca é quando o medo está presente em cada gesto. Não significa que não seja um risco de qualquer forma, mesmo com todos os cuidados, mas eu decidi fazer tudo o que estava ao meu alcance para tentar protegê-los.


Na passagem de ano a DGS limitou até 5 pessoas, nós fomos 4. Dos quais 3 estão em teletrabalho. Não significa que não seja um risco, mas quisemos ser cuidadosos.


O que eu acho irónico são as pessoas que vivem normalmente e se surpreendem ou criticam as medidas impostas como se o Governo fosse o problema. Não, o problema são as pessoas. Diariamente oiço pessoas revoltadas com possíveis medidas mais restritivas, do impacto na economia, que não se pode morrer de fome, mas são as mesmas que sempre que podem tiram as máscaras, que fazem a vida n-o-r-m-a-l, que passaram as festas com as pessoas dos anos anteriores e muito mais do que as recomendadas. São aquelas que não fazem o mínimo sacrifício para mudarem quaisquer rotinas. Irónico...

Comecei o ano a empurrar o meu carro...

 Este ano promete...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Último no Spotify

 

 Para ouvir aqui.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Oh well...


Este ano já dava indícios que ia ser uma #5$r#$ desde muito cedo.

Comecei o ano, dia 1, no mar a molhar os pés, num pseudo ritual de renovação e recomeço. Escrevi 2020 na areia molhada, pedi desejos e força, tudo muito filosófico. No dia 2 fiquei bastante constipada em consequência disto...

Depois disso o meu carro avariou, o aquecedor avariou, a tv avariou, tudo avariou. Nós próprios íamos avariando durante este ano. Comecei o ano em choros porque percebi que a igreja/catedral/convento em que fiz todos os planos para casar entrou em obras e não ia ser possível casar lá. Depois, meses mais tarde, percebi que nem lá, nem cá, nem em lado nenhum, assim basicamente. Comecei a valorizar a lágrima e a poupá-la para tempos efetivos de necessidade. 

Virei mãe dos meus pais. Passei a ligar todos os dias, uns a pedir... outros a gritar... "fiquem em casa", "tu não me iiiinerves, não vais nada para o café", "vais comprar pão mas depois quero-te em casa!!" enfim dei por mim a dizer-lhes frases que eles nunca me disseram, mas que se dizem facilmente a um filho.

Não treinei. Aumentei de peso e levei com olhares de medo quando fiz uma prova do meu vestido. "O ideal era que perdesse peso... isto não está a fechar..." Who cares? Não vou começar a fazer dieta ou a ter um estilo de vida saudável assim já já, quando ainda falta tanto tempo, certo? Vou deixar lá para quando faltar 3 meses... coisa que pode este andar tanto pode ser lá para julho ou em 2027.

Percebi que tele-trabalho não é para mim e nunca pareci tão sem abrigo do que no tempo em que estive em casa. O tempo voa, não rende, mistura-se com os trabalhos da casa, enfim, uma confusão. O conceito de falhar em casa ou no trabalho é tolerável quando acontecem um de cada vez, sentir isso em simultâneo é demasiado para mim.

Está-se-me a abater a crise dos 30. Os 30 estão aí ao virar da esquina, mesmo alí e estou a sentir a nostalgia da coisa. Percebo nos pequenos detalhes, quando passa uma música da rádio e vou logo aumentar o volume e imediatamente percebo que tenho que o baixar. O meu cérebro já não permite e soa um alarme, que me demove logo da minha expectativa de volume adequado para curtir a música. Percebi quando comprei uns bolinhos na pastelaria que o conceito de "demasiado doce" já existe nesta idade, coisa até então desconhecida e que prendas como meias quentinhas afinal são bem fixes. Todo um mundo novo. 

Por fim, e em relação à pandemia no outro dia vi um negacionista na tv a dizer "que isto é tudo uma fraude, que está farto disto e que por ele podía-se acabar já com isto". Ora eu sou da mesma opinião, por mim também se acabava já com isto. Pronto, já está? Ah, realmente o indivíduo tinha razão, foi muito simples... Não sei como ninguém ainda não se tinha lembrado de acabar com isto imediatamente. Adiante, se houvesse uma vacina para mim eu ia já tomá-la. Despachava já isso, era já.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

O que é que foi isto?

O que é que foi isto e porquê é que nos odeias? É tudo o que devíamos perguntar a 2020.

Este ano está a ser um desafio à economia, à saúde e à sanidade mental de todos nós. É até seria mais fácil colocar as coisas nestes moldes, culpando o ano com a expectativa de ser isto mesmo e de o próximo já ser melhor. Ninguém sabe se será mas todos queríamos ter uma data para nos agarrarmos, mas isso não existe.

Temo que o natal e a passagem de ano propiciem uma explosão de casos, que possamos colocar quem gostamos em risco, de nós próprios nos colocarmos à mercê da sorte. Seria provavelmente mais fácil se fossemos culturalmente uma sociedade mais fria, mas está-nos no sangue a proximidade, o convívio, a família. É só um Natal, não é assim tão complicado mantermos o afastamento, então qual a razão de nos sentirmos sistematicamente atraídos pela ideia de nos juntarmos, mesmo com medidas pensadas para tentar reduzir o risco.

Dou por mim tentada a ir a casa no Natal, sou só eu a ir, mas mesmo assim penso no risco que lhes posso causar. Eu sei que é algo que pode acontecer no dia-a-dia mas a tranquilidade de saber que não fui eu que causei nenhum dano de maior é algo que não terá preço, mesmo assim cá estou eu com ideias nonsense de ir a casa.


É um absoluto contra-senso, se todos pensarem como eu, como provavelmente vão pensar: “ah, somos só 3”. Tenho receio que três, quatro, cinco pessoas neste natal possam ser demasiadas e que Janeiro estejamos a pagar a fatura de termos esta necessidade de estarmos presentes, de não deixarmos a família “sozinha”. Esta dualidade entre sermos quem lhes pode prestar assistência, romper um pouco a solidão com a sensação de sermos igualmente a ameaça e podermos provocar uma doença, sequelas ou morte em quem nos é mais importante ou a nós próprios é absolutamente surreal.


sexta-feira, 27 de novembro de 2020

After Life



Mais reduzidos à nossa insignificância e a casa aderimos à Netflix, muito por causa da série The Crown, como já aqui tinha falado, que foi devorada, como o Ricardo Araújo Pereira sorve um pudim, por isso tivemos que avançar para outras séries.

Escolher a próxima série tem que se lhe diga. Tem que agradar minimamente aos dois, para que não haja um que 2 minutos depois já esteja no telefone ou a dormir, depois tem que ou acrescentar algo ou então entreter.

Passei por 500 opções, mas nada me parecia suficientemente apetecível, uma das opções era um documentário sobre Anne Frank o que me deixou tentada, mas também não queria algo triste. Já basta o que basta. Continuei até uma série chamada After Life de um conhecido comediante britânico, o Ricky Gervais.

Ora de que é que temos mais medo no mundo? Morrer ou que os nossos mais próximos nos faltem. Certo? Então como será viver sem esse medo? Como vive alguém que perdeu a pessoa mais importante e cuja vida já não faz sentido? É nisto que a série se baseia.

A primeira temporada é algo muito bom. Acreditem em mim. Confronta-nos com a finitude da nossa existência, faz-nos rir de coisas que não era suposto e chorar no minuto seguinte. Houve uma preocupação de passar mensagens muito importantes de tolerância para com os outros, de percebermos quando os outros procuram atenção e como isso é um mecanismo de eles próprios lidarem com carências e fragilidades, que nós podemos ser compreensivos em vez de críticos. Que estarmos tristes ou infelizes não legitima que tenhamos que tornar a vida dos outros miserável. Que acabar com a própria vida pode ser um ato egoísta e que podemos estar aqui para o outros, que precisam de nós e que nos ajudaram noutros momentos. Fala em como as adições podem ser um escape demasiado rápido para as pessoas lidarem com a dor e como, na prátic,a só nos afundam nos problemas que queríamos esconder. Fala daquilo que não fazemos por vergonha ou porque damos por garantido, achando que teremos sempre tempo e uma nova oportunidade, e que depois, por vezes, não temos e não há volta a dar. 

É um exercício de valorização dos outros que fazem parte da nossa vida, da sua importância  para a nossa suficiência, para o nosso conforto e equilíbrio. Fala-se de crênças, de ideias pré-concebidas, de religião, de adição, de auto-consciência, de solidão, de vazio, mas também de recomeço.


 Gostei muito.  

domingo, 22 de novembro de 2020

De conto de fadas a história de terror



Como já disse temos visto todas as temporadas de The Crown e hoje vimos o documentário da Netflix The Story of Diana.

Sabia que aquele casamento não tinha corrido muito bem, mas não tinha a noção de quão miserável foi a vida desta mulher. Que história terrível. Viveu um casamento a três e era obrigada a conviver a amante do marido, sofreu de bulimia severa, teve que ser mãe e mulher quando ainda era uma jovem, Lidar com a comunicação social que a absorveu, que a perseguiu, com uma casa real que invejava a sua popularidade e que não perdeu qualquer tempo a apoiar alguém que não estava preparada nem tinha estofo para lidar com o que viria junto com o seu casamento. Todo o documentário da Netflix é baseado no relato da princesa na primeira pessoa onde ela tem a oportunidade de dizer que o dia do casamento foi o pior dia da sua vida. Enfim, é incrível ver como o que toda a gente achava que era um conto de fadas foi um pesadelo terrível e inimaginável. 

Moral da história e em tempos de redes sociais: As aparências enganam.

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Covid-19

Isto que está a acontecer é surreal. E achavamos nós que tínhamos problemas...

Parece uma contagem regressiva até acontecer. No meu trabalho já há casos e a dúvida mora aqui, será que hoje estou bem mas já se passa alguma coisa? Pelo que percebi os critérios para o isolamento profilático são uma comédia. A minha sogra esteve com alguém positivo, não foi referenciada pelos serviços da linha de saúde como contacto de risco, mas uma pessoa infetada esteve em casa dela, uma das pessoas em casa não tinha máscara, apesar da senhora que estava positiva ter, e não há qualquer referênciação. Importa dizer que a minha sogra trabalha num lar. Seguiu-se isolamento profilático por conta dela, para não lhe morar na consciência que tinha ido trabalhar depois de saber que teve contacto com um caso positivo. 

Enfim. Nem quero imaginar as histórias de quem sobreviver a isto. As famílias. Os lutos. As outras doenças que progrediram porque não havia resposta. Os efeitos secundários. A economia. As mazelas para a saúde das pessoas.

Sabem aqueles filmes que achamos que eles abusaram na ficção científica? É o que isto me parece... mas em real.

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

O que te dirias aos 18 anos?



No outro dia vi uma pergunta que me deixou a pensar:

"Se pudesses dizer alguma coisa a ti próprio quando tinhas 18 anos, em três palavras, o que dirias?"

A publicação, feita nos EUA num conta pública de instagram, tem mais de 15 mil comentários com as respostas das pessoas. Vamos aqui analisar as respostas mais dadas:


Dont marry him / Let him go

80% das respostas dizem isto. Os relacionamentos são difíceis. Não é fácil estar-se alinhado, em todos os aspectos, com outra pessoa para sempre. 

Eu e o namorado acompanhamos a série The Crown e vimos agora a 4ª temporada onde mostram detalhes da relação da Princesa Diana e do Carlos. Engraçado como ele é que é o príncipe e me sai muito mais  rápido e soa melhor escrever princesa em relação a ela, do que a ele. Adiante, mas serve para mostrar como duas pessoas que aparentemente tinham tudo para serem felizes era miseráveis. Ela tinha casado com um príncipe, wow, ele tinha casado com uma miúda gira, afável, que todos invejavam, tinham tudo, tinham uma família e mesmo assim eram infelizes.

Isto para dizer que mesmo que duas pessoas se entendam em 90% das questões, haverá sempre lugar a nem que seja 10% de desacordo por visões, personalidades e modos de estar na vida diferentes. Em relação à família de ambos ou em constituir família ou não, ou porque um gasta mais do que outro, ou porque um dedica menos tempo ao outro, ou porque há terceiras pessoas envolvidas, ou porque há mil atividades na vida de um e do outro não, ou porque há diferenças na manifestação de afeto. A lista poderia continuar, mas aqui o ponto é que, de facto, não é fácil. Quem toma esta decisão com 18, 19, 20 anos também ainda corre mais esse risco, uma vez que eu penso que é a idade em que se acha que se tem todas as certezas do mundo e depois lá vem a vida dar um estalo de realidade para colocar as pessoas no sítio. Com trinta já não és a mesma pessoa do que com 15, quando muitos de nós começamos a namorar. Vejo nessas relações que perduraram, como em todas, essa luta e é perceptível as razões de muitos divórcios, dai que entendo o enorme volume de respostas a dizer isso. 


Buy apple/amazon/facebook stocks

5% dizem isto. Claro que hoje é fácil dizer qual era o cavalo certo a apostar, o difícil era prever o futuro. Acho que poderemos sempre dizer o mesmo daqui a 15 anos, "devia ter investido em acções da Empresa X ou Y". É jogar em como prever o futuro e isso não é para muitos. Nestes casos nem é preciso ir tão longe, se sabíamos tinhamos investido em acções do programa de conferências Zoom, no ano passado e estavamos agora todos a ler isto numa espreguiçadeira, nas ilhas Fiji. É um jogo de sorte e de risco, nada a fazer.


 Use a condom / Dont get pregnant / Dont have kids

Esta é muito muito boa e muito comum também. Só imagino os filhos a lerem os pais a responderem isto no instagram. Posso imaginar as conversas que isto dá: "Eu adoro-te filho, não me entendas mal, mas meio que vieste arruinar a minha vida." Autch...


Runaway and travel / Travel the world 

Sem dúvida que se soubesse o que sei hoje teria já feito mais duas ou três viagens. Há qualquer coisa de incrível em conhecer novos países, locais, em ver na tv e dizer "olha já estivemos ali". Acho que esse direito ainda é pouco democrático, infelizmente pelos rendimentos que nós portugueses temos e de povos com ainda menos do que nós, é um luxo. Não querendo ser irrealista, mas já sendo, devia ser possível e mais acessível todos os residentes no continente poderem conhecer e visitar as nossas ilhas e vice-versa, por exemplo, tipo um cheque viagem, depois cada um poupava para fazer ou ficar onde entendesse mas todos terem democraticamente essa oportunidade, se quisessem. 

Runaway and travel é um bom lema, mas se for para dizer a alguém com 18 anos diria: work hard, save money and once or twice a year run away and travel. Não vão os jovens achar que é fácil assim, que basta ir e mais nada. 


Hug your dad / Call your brother / Family is everything

Esta é daquelas que dói sempre. Nunca será suficiente e nós, seres humanos, vamos ganhando hábitos de achar que temos as pessoas como garantidas. Depois acontecem coisas como estas e estamos aqui aflitos porque quando podíamos ter abraçado mais não o fizemos e agora simplesmente não podemos.


Outras são: go to theraphy, treat mom better, stay in school, believe in yourself.


À primeira vista parece algo sem importância, no meio de milhares no instagram, mas depois achei que é muito  mais profundo do que isso e que há sempre ensinamentos a tirar disto.


Eu diria: "Sê (ainda) mais grata", "Não magoes terceiros" e se soubesse que iria conhecer o meu namorado mesmo assim "diria-me" "Escolhe outro curso". 

Desse lado, o que vos diriam?

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Novo episódio no podcast

 


Para ouvir aqui ou aqui.

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Talvez não me consiga explicar mas...


É só de mim ou vivemos numa era onde parece que toda a gente está a conquistar coisas o tempo todo e nós estamos parados a olhar o sucesso dos outros? É uma falsa crença, eu sei, muito motivada pela farsa que são as redes sociais e onde só mostramos o melhor de uma vida aparentemente espetacular. Eu percebo isso.

Contudo, também é verdade que temos toda a informação à mão de semear, que podemos rapidamente aprender de casa a fazer desde renda de bilros, a investimentos financeiros, a roupa, enfim, uma infinitude de projetos. Felizmente, e apesar de tudo isto que está a acontecer, ainda conseguimos manter os nossos trabalhos, mas sinto, mesmo assim, que não estou a fazer o dinheiro que devia, que podia rentabilizar melhor o tempo que tenho. Tenho aquela sensação constante que podia arranjar um novo projeto, algo que pudesse rentabilizar, conciliar com o que faço. Sinto que o tempo que tenho fora do trabalho (depois das 40h) que podia estar em empregar em algo que gostasse, só não sei em quê. Dá a sensação que os outros estão um passo à nossa frente, a comprar imóveis para rentabilizar, a criar projetos bem sucedidos de agricultura, a vender as mais pequenas coisas, enquanto sou uma espectadora de bancada e sei que isso poderá fazer a diferença no futuro, nas oportunidades que poderei ter, que poderei dar a um filho no futuro, não sei se me conseguirão entender.


O namorado de uma colega de trabalho, em conversa com ela, disse-lhe sobre mim o seguinte: "Mas que objetivos é que ela tem? Já viste o carro que ela conduz? Num discurso onde a menosprezava a ela e a mim por ser amiga dela, onde menosprezava as minhas ambições na vida e aquilo que eu tenho ou já consegui. Sim, o meu carro do dia-a-dia tem 20 anos e se ele acha que é mau, nem sabe a história a meio, porque se soubesse que nem sempre ele pega, que se desliga por vezes do nada e que um dos piscas nem funciona diria ainda pior. Não me afeta, quem me dera a mim que durasse mais 5 anos que ficava feliz da vida, serve lindamente para o objetivo que tem, levar-me ao trabalho e a casa. 20 minutos por dia e está óptimo. Não tenho grandes pretenções de aparentar um status, um nível de vida incrível. Não preciso de coisas incríveis, gosto de coisas boas, mas isso não tolda o meu foco e definitivamente não faço uma vida acima das minhas possibilidades. Tenho os pés muito bem assentes na terra, preciso dessa firmeza e dessa estabilidade. No entanto, de facto, sinto que podia fazer mais, que tenho a energia e ainda algum tempo que me permitiria aplicar num projeto, em algo que mesmo que simples pudesse transformar num pequeno negócio, sinto que procuro isso há anos e não consigo encontrar. Há inúmeros exemplos de histórias de pessoas que descobrem as paixões nas pequenas coisas, em trabalhos manuais, na cozinha, na construção e eu aqui a com a sensação de meio gás, de estar a olhar para o lado, entendem?

Enfim, é estranho e é confuso.

Teoria da relatividade



Quando em Janeiro eu chorava porque achava que nos estava a correr tudo ao contrário, se eu sonhasse que hoje estaríamos a viver isto teria poupado aquelas lágrimas.

Moral da história: só a morte é irremediável, para tudo o resto há solução. Há que sofrer menos e relativizar. Claro que é chato, claro que estraga tudo, claro que viver é isso mesmo é lidar com aquilo que estamos em sentir, mas como já vimos há sempre a possíbilidade de as coisas ficarem piores e nos termos martirizado em vão. Tendo em conta este pesadelo, mal eu sabia que o pior estava para vir.


A minha melhor amiga do secundário casou. Soube pelo facebook. Magoou um bocadinho, confesso. Pelo que percebi não houve festa, nem a família esteve presente, mas gostava que ela me tivesse mandado uma mensagem, gostava de ter partilhado essa fase com ela. Não era preciso estar fisicamente presente, mas que ela se tivesse lembrado de partilhar comigo. Sei que já não nos encontramos há imenso tempo, que as coisas já não eram o que foram quando nos víamos. No entanto, quis partilhar com ela quando soube que me ia casar, embora a reação não fosse a que estava à espera, senti que queria fazê-lo, que fazia todo o sentido. Pelos vistos, ela não pensa da mesma maneira. É aceitar e seguir com a vida. Aceitar que os vínculos se perdem, que os laços enfraquecem, que lá porque fazemos algo a pensar em alguém não significa que essa pessoa faria o mesmo por nós.

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Coisas em geral, os EUA em particular

Lembro-me de acordar há 4 anos e imediatamente após ligar a tv ter percebido que o Trump tinha ganho as eleições, que é o mesmo que acordar com a notícia de que há vida em Marte.

Quando o Obama ganhou achei, com esperança, que qualquer pessoa pode vir a ser presidente dos EUA e isso pareceu-me justo. Quando ganhou o Trump o sentimento foi o mesmo, mas de medo "oh não, afinal qualquer um pode mesmo ser presidente" e onde é que isto vai parar daqui para a frente, Kanye West? Randy do Say Yes to the dress? Não sei, ninguém sabe. 

Quando olho para chefes de estado fico admirada pelo conhecimento, por norma, a eloquência, as materias que dominam ali a responder à queima roupa em perguntas relacionadas com o mais díspares assuntos e como eles respondem a coisas que eu não saberia responder, mas eles sabem. Há toda uma admiração.

Contudo, porém, chega o Trump que fundamenta os seus argumentos com "trust me", "lixívia resolvia isso" ou "os médicos ganham por cada morte por COVID" e sabemos que o mundo nunca mais seria o mesmo. A minha opinião, pelo menos do que nos chega cá, é que é um acéfalo, sem conhecimento, autoritário, machista e uma vergonha para os EUA e para o mundo.

Certo dia, há 2 anos, fomos jantar com uns amigos do namorado que vivem dos EUA, são portugueses mas vivem lá praí há 10 anos. Eles contavam que estavam melhor com o Trump (queixo cai na sopa de imediato), que havia mais segurança nas ruas, mais emprego, melhores condições do que com o Obama. Oh, well... o que dizer disto? Não sei, disse-lhes aquilo que nos chegava cá e eles disseram que só chegavam os maus exemplos e que havia muitas coisas que tinham mudado para melhor. Pareceu-me impossível, mas são eles que efetivamente vivem lá.

Hoje liguei novamente a tv, o Trump continua a ganhar em vários estados e embora não perceba como, face a todos os disparates que diz há milhões que 4 anos depois continuam a querer que seja presidente e isso pode muito bem voltar a acontecer. 

Não percebo, não sei se conseguirei algum dia perceber... Acho que me faltam estudos para tal...

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